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domingo, 28 de fevereiro de 2010


DR. GERMANO AMORIM

Biografia


Germano Amorim (7 de Abril de 1880 - 12 de Janeiro de 1971) foi um jurista, jornalista e político português. Definia-se a si mesmo como republicano, laico e livre pensador.

Germano José de Amorim, conhecido por Germano Amorim, ou, Dr. Germano, nasceu na freguesia de Mazedo, Monção. Casou, no dia 11 de Setembro de 1909, com D. Joaquina Cândida Araújo Dias Amorim, natural da freguesia de Valadares (Monção), sendo uma das herdeiras da Casa da Amiosa da mesma freguesia do Concelho de Monção. Tiveram como filhos Bento Manuel de Araújo Amorim, Maria Albertina de Araújo Amorim Cerqueira, Virgínia Cândida de Araújo Amorim, Maria Júlia de Araújo Amorim de Sousa.[1]

Germano Amorim concluiu os seus estudos liceais em Guimarães. Viria a ser fundamental a ajuda do seu irmão, que era padre e residia naquela cidade exercendo lá o seu mister.

Licenciou-se em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra no ano de 1905. Durante esse período viria a dar os seus primeiros passos na actividade política que viria a revelar-se rica.

Simultaneamente continua a sua actividade política em Arcos de Valdevez iniciada nos meios intelectuais e revolucionários da época na cidade académica de Coimbra. O contacto com intelectuais e nomes de referência da época, foram-lhe aguçando o gosto pela res publica, não mais tendo deixado de cessar a sua activíssima vida política. Iniciado na maçonaria na Loja Pátria, do Grande Oriente Lusitano, em Coimbra e Carbonário. Em 1907, foi um dos mais importantes activistas da celebérrima Greve Académica de Coimbra em 1907. Em 1909 Viria a estabelecer-se em Arcos de Valdevez tendo inicialmente assumido as funções de Notário no Cartório Notarial de Arcos de Valdevez.

Seria porém no exercício da advocacia que viria a notabilizar-se, sendo unanimemente considerado um tribuno de excelência. Em 23 de Outubro de 1910 Germano Amorim, cria o Centro Republicano Teixeira de Queiroz, que seria o primeiro em Arcos de Valdevez, mas que nunca chegaria a ser oficializado, sendo por isso, a 14 de Janeiro de 1912, novamente por iniciativa de Germano Amorim, substituído pelo Centro Republicano Democrático Arcoense e este sim, viria a perdurar. A criação deste Centro tinha como principal fim propagar as ideias democráticas e manifestar a sua oposição ao Administrador então nomeado. De referir que Germano Amorim era membro do Partido Democrático, considerado mais progressista que outras facções republicanas. Pertenciam a este Centro Republicano prestigiosos nomes locais tais como Tomaz Norton de Matos (médico e irmão do General Norton de Matos que mais tarde viria a notabilizar-se na política nacional), António da Silva Dias, Manuel Pimenta, Albano Azevedo Amorim, Alfredo Brito Lima, Américo Esteves, entre muitos outros.

Em 1922 foi eleito deputado da nação pelo círculo eleitoral de Braga nas listas do Partido Democrático, tendo exercido essas funções até ao ano de 1925 entre a 6.ª e 7.ª legislaturas.

Exerceu as funções de Presidente e de Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez. No exercício deste cargo notabilizou-se a instalação, decorria o ano de 1925, da luz eléctrica em Arcos de Valdevez.

Foi Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Arcos de Valdevez, sendo o responsável pela criação das famosas cédulas, com um valor monetário variável, para serem inutilizadas em prol da Santa da Misericórdia de Arcos de Valdevez e da sua benemérita obra.

Além do mais, viria a notabilizar-se ainda como jornalista. Foi director de cinco jornais nos quais se incluem os seguintes:

  • O Avante;
  • Alvorada do Vez;
  • O Vez (também viria ser dirigido por Germano Amorim, José Cândido Gomes e Narciso de Faria Lima);[2]
  • A Trombeta (do qual viriam ainda a ser directores Álvaro de Aguiam e Camilo José de Carvalho);[3]
  • A Voz do Minho (Foram ainda directores José de Sousa Guimarães, Celestino Pinto da Cunha e António Ramos).

Foi portanto quem maior número de jornais dirigiu durante o período de implantação da República em Arcos de Valdevez.

Além dos dados biográficos brevemente descritos e para aprofundar a sua exactidão, Germano Amorim notabilizou-se pelo seu enorme altruísmo e sentido de fraternidade para com os mais desfavorecidos, essencialmente na prática da sua profissão, por prestar os seus serviços causídicos pro bonum. Ajudou sempre quem mais necessitava e esteve sempre ao lado dos mais fracos que mereciam esse empenho.

Foi provavelmente a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

As suas guerras com a facção distinta presidida por Sousa Guimarães, também conhecido por Dr. Guimarães, viriam a marcar a vida política local para sempre, constituindo alguns desses episódios autênticos actos de inspiração para o exercício dos cargos no poder local. Os dois viriam a compatibilizar-se no futuro contra o Estado Novo, contra Salazar, a 5 de Julho de 1931, através de uma aliança Republicano–Socialista, constituindo-se para tal efeito uma Grande Comissão constituída pelo Dr. Germano, Dr. Guimarães, Dr. Tomaz Norton de Matos, Caetano de Faria Lima, entre outros nomes notáveis da época que infelizmente também têm sido esquecidos da memória colectiva arcuense e nacional. Viria a aderir ao Partido Republicano Federal, que congregava as diferentes visões republicanas, principalmente com a união do Partido Democrático e do Partido Liberal Republicano.

Referências

  1. ↑ Geneall.pt. Germano José de Amorim (em português). Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  2. ↑ Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
  3. ↑ Publicações Periódicas Portuguesas. Página visitada em 25 de janeiro de 2010.
Fonte - Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Germano_Jos%C3%A9_de_Amorim

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

AVANTE, AVANTE P´LO BENFICA!!!



Félix Bermudes

AVANTE, AVANTE P´LO BENFICA!!!

Este sim é o verdadeiro hino do Benfica, o primeiro de todos, tendo sido o oficial durante várias décadas, cantado pelos jogadores do Benfica sempre que subiam ao relvado, sendo este mesmo hino, censurado pela ditadura.
É um Hino carregado de simbologia, força e paixão como a letra abaixo o demonstra.

Importa referir que, graças à ditadura, o Sport Lisboa e Benfica foi obrigado a deixar de usar este hino pela conotação comunista da palavra "avante"... e até a cor vermelha passou a encarnada...

O Grande Cosme Damião, um senhor que deu o nome ao Benfica (Sport Lisboa e Benfica), pediu a Félix Bermudes (um dos fundadores do Sport Lisboa e Benfica), que escrevesse um hino para o clube.

Félix Bermudes foi presidente do Sport Lisboa e Benfica em 1916-1917, 1930-1931 e 1945.
Impôs-se desde muito cedo, ao lado de Cosme Damião, primeiro como atleta e, mais tarde, como dirigente. Praticou futebol, atletismo, ténis, ciclismo, tiro, esgrima, hipismo e natação, e foi o homem de cultura, que deixou o nome ligado a um sem-número de peças teatrais, comédias e revistas.

Nos seus mandatos, o Benfica obteve três vitórias consecutivas no Campeonato de Lisboa (1915/16 a 1917/18) e, no último ano, em 1945, sagrou-se campeão nacional e resolveu o intrincado problema da sede da Rua Gomes Pereira, através da compra do edifício por 700 contos, a liquidar em 15 anos. Particularmente marcante terá sido a sua acção em 1906, quando, com Cosme Damião, evitou o desmoronamento do clube, contribuindo com dinheiro próprio para o efeito.

AVANTE, AVANTE P´LO BENFICA!!!

"Todos por um!" eis a divisa,
Do velho Clube Campeão,
Que um nobre esforço imortaliza,
Em gloriosa tradição.
Olhando altivo o seu passado,
Pode ter fé no seu futuro.
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro.

REFRÃO
Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!

Olhemos fitos essa Águia altiva,
Essa Águia heráldica e suprema,
Padrão da raça ardente e viva,
Erguendo ao alto o nosso emblema!
Com sacrifício e devoção
Com decisão serena e calma,
Dêmos-lhe o nosso coração!
Dêmos-lhe a fé, a alma!

REFRÃO

Avante, avante p'lo Benfica,
Que uma aura triunfante Glorifica!
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado,
Honrai agora os ases
Que nos honraram o passado!


Actos e figuras que ficam na história e que jamais deverão ser esquecidos.

Benfica Sempre!!!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

DR. GERMANO AMORIM - REPUBLICANO, LAICO E LIVRE PENSADOR.


A história de Portugal escrita pela República vitoriosa e ensinada aos futuros cidadãos da nação portuguesa, deve de referênciar uma pessoa singular nascida em 1880, de seu nome Germano José de Amorim.

O Dr.Germano Amorim, deputado na Assembleia da República durante a 1ª República, Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, dirigiu várias publicações, entre as quais jornais de referência a nível Nacional e Regional que muito contribuíram para a consolidação da República no País, para a cultura da Nossa Terra e da Nossa Região, "mandou" às instâncias do seu tempo instalar a luz eléctrica em Arcos de Valdevez, foi Provedor da Santa Casa e Jurista. Foi provavelmente a figura que mais se destacou em Arcos de Valdevez no período de implantação da República em Portugal.

Um Republicano Laico e Livre Pensador, que fazia com que a minha família dissesse quando dele se falava: - O Dr. Germano? Era um Santo!

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O melhor e mais belo automóvel de todos os tempos.








Mercedes Benz 300 SL de 1955
Motor
Tipo: Seis cilindros em linha
Construção: Bloco e cabeça em ferro fundido
Válvulas: Duas válvulas por cilindro, accionadas por um veio excêntrico à cabeça
Diâmetro em curso: 85 x 88 mm
Cilindrada: 2996 cc
Relação de compressão: 8,5:1
Alimentação: Injecção mecânica Bosch
Potência máxima: 243 cv às 6100 rpm
Binário máximo: 293 Nm às 4800 rpm
Velocidade máxima: 260 Km/h
0-100 Km/h: 9,0 segundos

Transmissão
Manual de quatro velocidades

Carroçaria/ Chassis
Coupé de duas portas em aço e liga, com chassis em aço tipo "spaceframe"

Equipamento rolante
Direcção: esferas circulantes
Suspensão dianteira: triângulos duplos, com molas helicoidais e amortecedores telescópicos
Suspensão traseira: semieixos com molas helicoidais e amortecedores telescópicos
Travões: tambor (dianteiros e traseiros)
Jantes: discos de aço 5 x 15"
Pneus: tela cruzada 6,7 x 15"

Dimensões
Comprimento: 4521 mm
Largura: 1778 mm
Altura: 1262 mm
Distância entre eixos: 2388 mm
Via: 1384 mm (dianteira), 1435 mm (traseira)
Peso: 1293 kg

Em 1954 !!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Jimi Hendrix - Hey Joe

Jimi Hendrix - Hey Joe, ao vivo no "Monterey Pop Festival", em Monterey,California, a 18 de Junho de 1967.

Divinal.

Kate Bush - Strange Phenomena

Kate Bush - Strange Phenomena, ao vivo no Hammersmith Odeon,Londres,1979.

Pura Magia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

PINHEIRO DE AZEVEDO


José Baptista Pinheiro de Azevedo.

Conhecido como o "Almirante sem medo",o militar foi,após a "revolução dos cravos", membro da Junta de Salvação Nacional, ministro da Defesa, primeiro-ministro e candidato a Presidente da República.Muitos recordam-no pelo grito de "Bardamerda para o fascista!",que lançou de um Parlamento sequestrado no PREC pós 25 de Abril.

Nascido em Luanda em 1917,Pinheiro de Azevedo entrou para a Academia Naval aos 17 anos e para a Guarda Marinha aos 20. Foi professor de Astronomia e Navegação na Escola Naval e professor do "Curso de Capitães" na Escola Náutica. Deixou vários livros técnicos sobre Trigonometria, Meteorologia e Navegação. Durante a guerra colonial comandou a defesa marítima da província angolana do Zaire. Entre 1968 e 1971foi adido naval da embaixada portuguesa em Londres.

Aquando do 25 de Abril, era capitão-de-mar-e-guerra e comandante dos fuzileiros. Foi membro da Junta de Salvação Nacional, o órgão provisório de governo formado logo após a revolução, e desempenhou um papel importante no período a que se chamou PREC (Processo Revolucionário Em Curso).

Em Agosto de 1975, foi designado primeiro-ministro do VI Governo Provisório, substituindo Vasco Gonçalves.
Pinheiro de Azevedo chefiou-o até às eleições de 1976,das quais saiu o I Governo Constitucional.

Às vezes lembro-me do Almirante Pinheiro de Azevedo, porque proferiu algumas tiradas que ficaram para sempre na nossa memória, e muitos já concerteza ouviram a história da "fumaça" no Terreiro do Paço.
Esta sua entrevista aquando do seu sequestro é, no mínimo,hilariante.
Portanto aqui está o Almirante Pinheiro de Azevedo ao seu melhor estilo.





A 12 de Novembro de 1975,estando o Parlamento cercado por operários da construção civil em greve,alguns manifestantes chamaram fascista a Pinheiro de Azevedo.A resposta não se fez esperar:"Bardamerda para o fascista!".
E outras:
"Já chega, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia, pá!"
"Não , não não, essa dos padeiros concerteza... sim, talvez, olhe e daí talvez."
"E eu agora, eh pá, vou almoçar pá!!!"

Ainda durante o cerco, o "almirante sem medo" teve uma atitude inédita: auto-suspendeu-se por falta de condições para governar. Poucos dias antes, durante uma manifestação de apoio ao Governo, no Terreiro do Paço, em Lisboa, rebentaram granadas de gás lacrimogéneo lançadas pela Polícia Militar e petardos do PRP contra os manifestantes. "É só fumaça!", assegurou imediatamente o primeiro-ministro,acrescentando que "O povo é sereno".

De facto,Pinheiro de Azevedo tinha toda a razão,o povo é sereno...e foi sereno!!!
Em lado nenhum do mundo se fez tamanha revolução politico-social de forma tão pacífica.

sábado, 19 de abril de 2008

A GUERRA COLONIAL VISTA POR JOAQUIM FURTADO

Excelente documentário sobre a Guerra Colonial que está a passar na RTP.
Desde miúdo que me contam histórias em casa sobre a guerra colonial, porque o meu Pai foi mobilizado para os teatros da guerra colonial, e cumpriu serviço militar em Angola, de 1969 a 1971 como condutor de Auto Rodas. Era ele que levava os soldados dos "Dragões de Angola" para o combate no "Unimog", e era ele também o "Chauffer" do Governador Civil em Silva Porto.

Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho de Joaquim Furtado.

Os testemunhos pessoais obtidos são de um valor histórico, e humano, extraordinário; a isenção, política e ideológica, na abordagem de um acontecimento dramático na vida de povo português, e do povo angolano, é um exemplo de profissionalismo e de coragem cívica exemplares.

A montagem permite recriar os ambientes da guerra com seriedade narrativa e estética tornando apetecível um tema repugnante, confrontando os antigos combatentes, desvendando os antecedentes e revelando detalhes desconhecidos mesmo dos próprios protagonistas.

Impressionou-me a narrativa implícita no documentário expondo a fraqueza de Portugal como potência colonial. Como foi possível manter um império com pés de barro durante tanto tempo?

Afinal não existia em Angola, nem em qualquer outra colónia, nem planos de contingência, nem forças policiais e militares revelantes, nem infraestruturas, nem armas, nem outro projecto que não o da pura exploração das riquezas naturais e da mão de obra barata, herdeira do esclavagismo.
Aqueles portugueses que trabalhavam nas regiões do interior de Angola ficaram, de um dia para o outro, abandonados à sua sorte. Eles, na sua esmagadora maioria, não eram nem fascistas nem colonialistas. Foram vítimas de uma política que, como dizia, com aguda lucidez, num debate na RTP, o General Galvão de Melo, radicou no atraso de um processo de descolonização que deveria ter começado logo após o fim da Segunda Grande Guerra.

Resultado: 10 000 mortos e perto de 30 000 feridos.

O que se ganhou com aquela teimosia, com aquele orgulho...? O que se perdeu sabemos nós.

10.000 vidas.
Louvor aos Soldados e Hinos à sua memória.


quinta-feira, 13 de março de 2008

BRIAN CLOUGH - "O VERDADEIRO SPECIAL ONE"













Quando eu comecei a ligar alguma coisa ao futebol, uma equipa reinava na Europa do futebol: o Nottingham Forest. Desde então que a minha admiração por esta equipa permaneceu ao longo dos anos, de tal forma que ainda hoje, quando eles estão na League One, todos os fins-de-semana me preocupo em ver qual foi o resultado do jogo deles. Na altura não o sabia, mas vim depois a descobrir a dimensão deste feito ao aperceber-me que o Nottingham Forest não é mais que um pequeno clube das Midlands de Inglaterra, com uma dimensão em nada comparável à de clubes como o Liverpool, Man Utd, ou Arsenal. E não fazia também ideia na altura de quem era o homem que tornou tudo isto possível, o autor deste autêntico milagre futebolístico: Brian Clough. Um personagem único na história do futebol, que ganhou o direito a ser considerado uma verdadeira lenda. É sobre ele que este post fala.
Brian Clough ganhou duas taças dos campeões com o Freamunde de Inglaterra, o Nottingham.
Brian Clough chegou ao Nottingham Forest em Janeiro de 1975.

Apesar dos seus 39 anos, não era um desconhecido no futebol.

Como jogador, numa carreira que terminou precocemente aos 27 anos após uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito (que na altura significava o fim automático de quaisquer aspirações a jogar futebol), atingiu a impressionante marca de 251 golos em 274 jogos (incluindo 24 hat-tricks) ao serviço de Middlesbrough e Sunderland, sendo internacional inglês.

Como manager, já tinha conseguido o feito de levar o pequeno Derby County a campeão inglês e às meias finais da Taça dos Campeões Europeus, sendo eliminado pela Juventus em circunstâncias suspeitas. Demitiu-se do Derby em conflito com a direcção (o seu desprezo por dirigentes de futebol era notório, e os confrontos frequentes), e assumiu o controlo do Leeds United, uma das potências futebolísticas inglesas de então, no início da época de 1974/75 (pelo meio teve uma breve passagem, sem sucesso, pelo Brighton, na Division Three).

Assim que chegou, disse aos jogadores do Leeds que deviam deitar todas as medalhas que tinham ganho para o lixo, porque só as tinham ganho com batota (resultado de ter visto, numa ocasião, um árbitro entrar no gabinete do manager do Leeds, Don Revie).

Saiu 44 dias depois, com uma indemnização que, de acordo com ele, lhe permitiria não ter que voltar a trabalhar mais.

E assim chegou ao Nottingham Forest, um clube quase desconhecido, perto do fundo da tabela da Second Division, e para onde nenhum jogador com algum prestígio desejaria ir jogar. A primeira compra que fez quando lá chegou foi… um fogão novo, com dinheiro do seu bolso. Segundo as suas palavras:

”Well, the one the club had was knackered. But, frankly, I nearly picked it for the team ‘cos it was better than most of the squad.”

Brian Clough tinha uma obsessão: não sofrer golos. Como muitos treinadores, acreditava que uma equipa se começava a construir de trás para a frente (no caso dele, era resultado de experiências desagradáveis enquanto jogador, já que se irritava ao marcar golos em série e ver que os golos não serviam para nada porque a equipa sofria tantos ou mais do que ele conseguia marcar). Além disso, acreditava que era possível ganhar e jogar simples e bonito, entretendo o público.

Afastou-se do estilo típico do futebol britânico na altura, de bola pelo ar e kick and rush:

”If God had wanted us to play football in the clouds, he’d have put grass in the sky.”

Os seus jogadores estavam proibidos de discutir com árbitros, de chutar bolas para a bancada, simular lesões ou queimar tempo. Não admitia qualquer tipo de desafio à sua autoridade por parte dos jogadores. Sobre isso dizia:

”We talk about it for 20 minutes, and then we decide that I’m right.”

Quando Martin O’Neill, insatisfeito por estar a jogar pelas reservas, lhe foi pedir explicações, recebeu a seguinte resposta:
”It’s quite simple, young man. You’re too good to play for the third team.”

Como quase todos os treinadores que ficaram na história, Clough era um excelente gestor de homens, sabendo motivar ou espicaçar os seus jogadores na altura certa, e utilizando métodos pouco convencionais. Em 1979, na véspera da final da League Cup contra o Southampton, achou que os jogadores estavam demasiado tensos. Então, obrigou os jogadores a irem com ele aos bares e a apanharem uma bebedeira. Segundo ele, preferia ter jogadores ressacados do que jogadores tensos e nervosos. O Forest venceu a final por 3-2.

Um ano depois, trouxe o seu fiel adjunto Peter Taylor para o clube, refazendo a dupla de sucesso de Derby (“I’m the shop window, Pete’s the goods at the back.”). E no final da época de 1976/77, conseguiu a promoção à First Division, conquistando também o primeiro dos troféus ao serviço do Forest, a Anglo-Scottish Cup. Um troféu de pouca importância, mas que Clough sempre considerou ser o início de tudo, porque a maioria dos seus jogadores nunca tinham ganho nada, e aquele troféu deu-lhes a primeira experiência do que era ser um vencedor. Segundo ele, os jogadores gostaram, e ficaram 'viciados'. Taylor e Clough tinham o dom de conseguir tirar o máximo dos seus jogadores, de fazer estrelas de jogadores praticamente desconhecidos, e de relançar carreiras de jogadores considerados acabados para o futebol.

Foi assim que construíram a equipa do Forest para a época de 1977/78.

Resgataram, por exemplo, Peter Shilton ao Stoke, na Second Division (só a história da contratação do Shilton daria um post separado).

Contrataram o ponta-de-lança Kenny Burns ao Birmingham, e Clough viu nele um avançado mediano, mas um defesa de eleição. A jogar na defesa foi eleito o jogador do ano.
A verdade é que nessa época de 1977/78, vindos da segunda divisão, com uma equipa de desconhecidos e ‘acabados’, naturalmente ninguém levava o Forest a sério num campeonato que parecia ganho à partida pelo campeão europeu Liverpool (que revalidou esse título).

Ao fim de dezanove jornadas, o Nottingham Forest ocupava a primeira posição, com um ponto de vantagem sobre o Everton, e seis sobre o Liverpool. Ainda assim, e para fúria de Clough, continuavam a não os considerar candidatos, e a levar as declarações dele que o Forest, e não o Liverpool, era a melhor equipa inglesa como apenas mais um dos seus devaneios. Claro que Brian Clough utilizou isso mesmo como forma de espicaçar os seus jogadores.

E foi assim que o Forest se deslocou a Old Trafford. Quando os noventa minutos terminaram, e o marcador mostrava Man Utd 0 – Nottingham Forest 4, as pessoas começaram a perceber que aquilo era mesmo a sério. Seguiu-se um empate 1-1 com o Liverpool, e uma vitória por 1-0 sobre o Everton.

E daí por diante: 2-0 ao Arsenal, 3-1 ao Chelsea, 2-0 ao Newcastle e ao West Ham, o Forest foi imparável. No final, e num campeonato em que a vitória valia dois pontos, o Forest, vindo da segunda divisão, foi campeão com sete pontos de avanço, e o menor número de golos (24) alguma vez sofridos por um campeão. Foi também estabelecido um record de 42 jogos sem perder, que só viria a ser batido pelo Arsenal, 26 anos depois.

Ao título o Forest juntou a League Cup desse ano.

Pegar num clube como o Derby County e levá-lo a campeão e a uma meia-final da taça dos campeões europeus num jogo viciado a favor da Juventus, já era um feito quase inacreditável. Pegar no Nottingham Forest e repetir a façanha era uma coisa do outro mundo. Mas Clough e Taylor não ficariam por aqui.

Na época seguinte, a primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus colocou o bicampeão Liverpool frente ao Forest de Clough.

O Liverpool foi despachado com 2-0 no total das duas mãos.

Seguiram-se AEK (7-2), Grasshoppers (5-2), e Colónia (4-3, com uma vitória por 1-0 na Alemanha graças a uma exibição épica do Shilton, após um empate 3-3 no City Ground na primeira mão).

A final foi ganha por 1-0 ao Malmö, com um golo de Trevor Francis, o primeiro jogador da história a custar um milhão de libras (Clough insistia que apenas tinha pago £999.999 por ele, porque um milhão era um valor obsceno).

Em três anos consecutivos, Brian Clough levara uma equipa da segunda divisão ao topo da Europa. Não contente com isso, repetiu o título europeu na época seguinte (vitória por 1-0 em Madrid frente ao Hamburgo), em que o melhor marcador da equipa foi Garry Birtles, um aplicador de alcatifas que Clough tinha descoberto a jogar numa liga amadora de fim-de-semana e por quem pagou duas mil libras.

O capitão dessa equipa que ergeu as duas taças de campeã europeia, John McGovern, era um jogador que fora 'raptado' à universidade por Clough e Taylor, que o convenceram a abandonar os estudos e a assinar pelo Hartlepool, da Fourth Division, quando Clough era o treinador, doze anos antes.
O fim da relação com Peter Taylor em 1982, e o progressivo alcoolismo de Brian Clough acabaram por significar o fim da ‘magia’. O Forest viria a conseguir conquistar mais duas Taças da Liga, em 1989 e 1990, mas não conseguiu repetir os feitos do passado. No final da época de 1992/93, a última da carreira de Brian Clough, e da primeira edição da actual Premier League, Clough sofreu a ignomínia de ser despromovido pela primeira vez na vida. Para trás ficou uma carreira única, com duas enormes frustrações: nunca ter conquistado a FA Cup (o mais perto que esteve foi em 1991, na final que ficou tristemente célebre pelas entradas animais e consequente lesão de Paul Gascoigne e que o Forest perdeu por 2-1 no prolongamento); e nunca ter sido escolhido para seleccionador inglês.

Em 1977 chegou a ser entrevistado para o lugar, e seria a escolha óbvia, mas a sua personalidade conflituosa, o desprezo absoluto que sentia por dirigentes de futebol (em particular pelos dirigentes da FA, que acusava de nunca terem jogado futebol na vida) e o hábito de dizer o que muito bem lhe apetecia ("They didn't want an England manager who was prepared to call the italians cheating bastards.") eram uma garantia que seria muito difícil ser escolhido – deram-lhe o posto de seleccionador de esperanças, uma espécie de prémio de consolação.

Brian Clough ficou também famoso por quase tudo o que dizia. As pessoas estavam sempre na expectativa sobre o que ele diria quando era entrevistado, e muitas das suas afirmações ficaram para a posteridade, conhecidas como ‘cloughisms’. Aqui ficam alguns dos exemplos:

”They say Rome wasn’t built on a day, but I wasn’t on that particular job.” - a sua habitual modéstia.

”Players lose you games, not tactics. There’s so much crap talked about tactics by people who barely know how to win at dominoes.”– sobre os comentadores de futebol.

”I can’t even spell spaghetti, never mind talk italian. How could I tell an italian to get the ball? He might grab mine!” - sobre a invasão de estrangeiros no futebol inglês.

”For all his horses, knighthoods and championships, he hasn’t got two of what I’ve got. And I don’t mean balls!” - sobre Alex Ferguson.

”I believe Lennox Lewis didn’t see that punch coming last Sunday, and the skipper of the Titanic had some excuse for not spotting an iceberg if it was dark. But I couldn’t believe my big ears when Fergie said he had not seen Keane’s tackle on Haaland.” - sobre a ‘visão selectiva’ de Alex Ferguson.

”At last England has appointed a manager who speaks English better than the players.” – sobre Eriksson.

”The Derby players have seen more of his balls than the one they’re meant to be playing with.” - quando um streaker invadiu o campo durante um jogo.

”That Seaman is a handsome young man but he spends too much time looking in his mirror rather than at the ball. You can’t keep goal with hair like that.” - sobre David Seaman.

”He’s like Muhammad Ali but without the talent. He floats like a butterfly and tackles like one too.” – sobre o jogador Trevor Brooking.

”They say Al Capone did some good things in life. Trouble was, he would go out in the streets and shoot people. Keane is becoming United’s Al Capone.” – sobre Roy Keane.

”Acne is a bigger problem than injuries.” - sobre a juventude da sua equipa.

”I bet their dressing room will smell of garlic rather than liniment over the next few months.” - sobre a quantidade de jogadores franceses no Arsenal de Wenger.

”They caress a football the way I dreamt of caressing Marilyn Monroe.” - ainda sobre o Arsenal de Wenger.

”If a player had said to Bill Shankly ‘I’ve got to speak to my agent’, Bill would have hit him. And I would have held him while he hit him.” - sobre os agentes dos jogadores.

”Beckham? His wife can’t sing and his barber can’t cut hair.” – sobre Beckham e a mulher.

”Football holligans? Well, there are 92 club chairmen for a start.” – a sua tradicional antipatia por dirigentes.

Enfim, tal como disse, este post tem a ver com uma figura que eu me habituei a venerar como um dos melhores, se não mesmo o melhor treinador de futebol de sempre, e que nos deixou completam-se três anos.

Mostrem-me um treinador que em quatro anos leve uma equipa da segunda divisão a bicampeã europeia e talvez eu mude de opinião.

Isto dos melhores tem que se lhe diga, e cada um terá a sua opinião. Eu limito-me a concordar com o próprio Brian Clough, e a sua tradicional modéstia:

”I wouldn’t say I was the best manager in the business. But I was in the top one.”

por D`Arcy
Bobby Charlton:
"In the '80's I followed Nottingham Forest everywhere in England and Cloughie was always applauded by home supporters, well most of them, this never happens with these managers like Mourinho. Brian Clough was different because his teams didn't cheat, never argued with refs and respected the opposing team whatever the outcome and most important of all they played very exciting football on the floor. He used to fine players a weeks wages if they got booked for arguing with officials, I remember him substituting Stuart Pearce - who was the England captain at the time, just for a late tackle on an opposing player. If you doubt any of this, just search google for stories about Mr Clough.By example, Mourinho is a good manager, but Brian Clough has 2 European cups to his name, as many as Ferguson, Wenger and Mourinho combined. With a poor team, without money, in a short time.
Brian Clough is, simply the best coach of all time."

sexta-feira, 7 de março de 2008

ARCOS DE VALDEVEZ NO EBAY











Estava eu a "navegar" pelo EBay, quando de repente, encontro estes postais antigos da nossa linda vila que é Arcos de Valdevez.

Os postais, dos anos 60/70, são referentes à nossa ponte sobre o Rio Vez e ao nosso Município.

O EBay, para quem não sabe, é actualmente o maior "site" do mundo para a venda e compra de bens, é o mais popular shopping da internet e possivelmente foi a pioneira neste tipo de serviços.
Até no EBay se encontra Arcos de Valdevez, a vila mais linda de Portugal, onde em 1140, graças ao Torneio de Valdevez, se deu o primeiro passo para a celebração do Tratado de Zamora em 1143.

Esta nossa paisagem sobre o Rio Vez, é das imagens mais lindas que podem existir para os nossos olhos e sentidos!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Brasil no Mundial 82 - Alô RTP Memória!!!


A caminho de Espanha, o escrete passou aqui em Portugal para um estágio.

Pela TV e rádios passavam jornalistas brasileiros em série. Falavam de uma super-equipa, apesar de dois nomes muito contestados: Valdir Peres, o guarda-redes, e Serginho, o ponta-de-lança.

Quando o Brasil chegou à Portela e um jornalista brasileiro perguntou a Valdir Peres se achava se era o melhor guarda redes do Mundo, abri a boca de espanto. Não fazia a mínima ideia de quem era Valdir Peres, se era bom ou não, mas o melhor "Keeper" do Mundo não era de certeza. Para mim, os melhores do mundo eram, o Dasaev, o Zoff, o Schumacher,o Pfaff... Aliás o frango do primeiro jogo criou uma fama a Valdir Peres de pior guarda redes do Mundo, mas esse título era exagerado.
O Mundial Espanha 82 marcou indelevelmente a minha infância.
Foi uma competição extraordinária, disputada aqui mesmo ao lado (ainda que as distâncias nessa altura fossem bem mais difíceis de percorrer), e que juntou figuras como Maradona, Platini, Zico, Rummenigge, Breitner, Falcão, Sócrates, Paolo Rossi, Conti, Tardelli, Keegan, Krankl, Panenka, Dino Zoff, Kempes, Boniek e muitos outros, numa época em que o futebol ainda não tinha definitivamente sido conquistado pelo pragmatismo dos resultados.

É verdade que Portugal não esteve presente, mas isso até então era vulgar – apenas em 1966 a selecção nacional conseguira o apuramento. Não foi portanto esse “pormenor” que impediu que o país futebolístico parasse durante um mês, em frente dos televisores (a maioria ainda a preto e branco), a deliciar-se com a quantidade e qualidade das estrelas que lhe entravam pela casa dentro.
À falta de Portugal, era o Brasil (que até estagiou cá em Portugal) que nos alegrava a alma.Recorde-se que este Mundial contou com a participação de 24 países, o que além de representar uma novidade em termos de formato, significava um número acrescido de jogos – de 38 jogos nos mundiais anteriores, tínhamos agora 52, todos, ou quase, transmitidos pela televisão.
Vivia-se ainda nos dias da rádio, em que as transmissões televisivas se cingiam normalmente à final da Taça de Inglaterra, à final da Taça dos Campeões, e a um ou outro jogo da selecção nacional no estrangeiro.
Imagine-se pois o regalo que era durante um mês poder desfrutar de 52 jogos entre as melhores selecções do mundo, recheadas de algumas das estrelas mais cintilantes da história da modalidade.
Conforme disse, a esmagadora maioria dos portugueses apoiava a selecção brasileira. O nosso país, depois das convulsões revolucionárias, vivia uma fase de reencontro com os seus símbolos nacionais, e o mais importante de todos era a língua. Esse aspecto, paralelamente à possibilidade de êxito que uma selecção brasileira sempre abre em qualquer competição, fazia com que milhares, para não dizer milhões, de portugueses vibrassem com o “Escrete Canarinho”,até porque essa equipa do Brasil não era uma equipa qualquer.Se me perguntarem qual foi o melhor jogador do meu tempo, não hesito: Diego Maradona. Se me perguntarem qual o melhor conjunto, talvez responda o Milan de Sacchi ou o Liverpool de Paisley... O meu Benfica que o diga...
Se a questão contudo for qual a equipa que mais me encantou, ou aquela cujo perfume mais sedução espalhou, essa foi sem dúvida a selecção brasileira de 1982, que praticava o futebol mais bonito que alguma vez pude ver.
Era interessante que a RTP Memória pudesse um dia passar esses jogos, pois o requinte técnico, a magia colectiva alicerçada no talento individual de vários foras-de-série, a força ofensiva, a criatividade a tocar os limites da nossa imaginação, fazia desse Brasil uma selecção empolgante como nenhuma outra, e dos seus jogos, espectáculos deslumbrantes da mais pura arte.
Se no início do Mundial os portugueses já estavam com o “Escrete”, ao longo da prova os brasileiros terão cativado quase todo o mundo, e quando disputaram o acesso às meias finais coma Itália, talvez só na “bota mediterrânica” não arregimentassem apoios.
O Brasil começou a prova com a URSS, num jogo muito aguardado, até por motivos políticos – no Brasil a ditadura de Figueiredo ainda estava para durar, e na União Soviética vivia-se ainda a era Brejnev. Ao frango do guardião Valdir Peres nos primeiros minutos devido a um remate de Andrei Bal, respondeu o Brasil com uma segunda parte magistral, e dois golos sublimes de Sócrates e Eder (este no último minuto) que garantiram a vitória.
Em seguida o Brasil derrotou facilmente a Escócia por 4-1, e a Nova Zelândia por 4-0, com mais duas exibições luxuosas, apurando-se com toda a tranquilidade para a segunda fase da prova.
No grupo A, uma Itália tristonha e ineficaz conseguiu o apuramento por um…golo. Três empates deixaram-na atrás da Polónia, e em igualdade pontual com os surpreendentes Camarões. No "goal-average", mais um golo marcado que os africanos levou a Squadra Azurra para a segunda fase. Longe estávamos de saber onde chegaria depois.
O Mundial 82 teve um figurino competitivo único, que não mais se repetiria. Dos seis grupos iniciais eram apuradas doze selecções (até aqui tudo normal), mas depois, ao invés de eliminatórias, havia outra fase de grupos, então com quatro poules de três equipas cada.
Brasil, Itália e Argentina (com a base da equipa campeã em 78 reforçada com…Maradona), fruto dos segundos lugares destes dois últimos, constituíram um dos agrupamentos.
Um luxo !
Jogariam em Sarriá, ex-estádio do Espanhol de Barcelona (hoje demolido). Na primeira jornada Itália-Argentina, depois o derby sul-americano e por fim a reedição da final de 70.
Logo no primeiro jogo, a Squadra Azurra orientada por Enzo Bearzot, mostrou que as dificuldades da primeira fase não passavam de um equívoco. Com uma extrema eficácia na arte de contra-atacar, derrotou os campeões do mundo por 2-1.
Na segunda ronda tivemos oportunidade de desfrutar de mais um festival Brasil. Vencendo categoricamente a Argentina por 3-1 (podiam ter sido muitos mais), o Escrete realizou talvez a melhor de todas as suas exibições na prova. Maradona foi expulso por agressão a Batista, e a Argentina dizia adeus à competição e à revalidação do título. Ao Brasil bastaria o empate frente à Itália para seguir rumo às meias finais, onde tinha a Polónia à sua espera.

Chegou-se assim ao decisivo jogo, de um grupo onde, mau grado os nomes em presença, o Brasil, pelo que mostrara até aí, era claramente favorito.Numa tarde de sol e calor, a equipa de Tele Santana actuou com o seu onze base:
Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Cerezzo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho e Eder.
Com um meio campo deslumbrante, o Brasil espalhava magia pelos relvados. Mas o seu guarda-redes, a sua estratégia defensiva e o seu ponta de lança (Serginho), ficavam um tanto aquém da qualidade geral da equipa.
Os italianos, matreiros, saberiam explorar isso muito bem.Enzo Bearzot fez alinhar :
Zoff, Gentile, Scirea, Colovatti, Cabrini, Oriali, Tardelli, Antognioni, Conti, Rossi e Grazziani.
Apesar de não ter marcado qualquer golo na primeira fase, Paolo Rossi, depois de dois anos a cumprir castigo por corrupção e viciação de resultados (no célebre caso “Totonero” que levou o Milan para série B), (ainda me lembro quando contava esse sucedido ao meu querido amigo Germano Amorim), Rossi era ainda a grande figura da equipa.
Mas Bruno Conti, em início de carreira, estava a revelar também o seu enorme talento. A força defensiva da equipa era notável .Zoff ainda era a par de Dasaev,o melhor do mundo na altura , e Gentile vinha de uma marcação impiedosa sobre Maradona que o secou por completo.
Logo aos seis minutos de jogo, Rossi recebe um cruzamento ao segundo poste e cabeceia para o fundo da baliza de Valdir Peres. A Itália praticamente entrava a ganhar, causando sensação.
Ainda havia muito jogo pela frente, e isso tratou de demonstrar Sócrates, cinco minutos depois, após um passe perfeito de Zico, restabelecendo um empate que todos aguardavam com naturalidade.
A meio da primeira parte, Paolo Rossi aproveita um passe errado de Leandro, isola-se e dispara à entrada da área para o fundo da baliza de um ineficaz Valdir Peres.
A Itália voltava a surpreender, e colocava-se de novo na frente do marcador, resultado com que se atingiria o intervalo.
Na segunda parte viu-se a um verdadeiro massacre brasileiro em busca do golo da igualdade que, recorde-se, apurava o “Escrete”. A Itália contra-atacava com perigo. Assistia-se a um espectáculo de sonho, com qualidade técnica e intensidade competitiva levada aos limites.
A pouco mais de um quarto de hora do fim, Falcão recebe a bola na intermediária transalpina, simula que vai flanquear, aproveita a desmarcação inteligente de um colega para ganhar espaço e faz um potente remate cruzado que bate pela segunda vez o veteraníssimo Dino Zoff .
Era o delírio nas bancadas pintadas de verde e amarelo. E eu faço ideia o ambiente no Brasil...
A imagem de Falcão a correr de braços abertos em direcção ao banco ainda permanece na memória de muitos de nós como um dos mais belos e marcantes momentos desse mundial.
O mais difícil parecia feito, mas o dia era mesmo de Paolo Rossi.Ainda se festejava o golo de Falcão e acontece um canto contra o Brasil. A bola vai para a área, é devolvida pela defesa sul-americana, mas a segunda vaga apanha Rossi (colocado em jogo por Júnior), que completamente sozinho diante de Valdir Peres, não tem dificuldade em desviar a bola para dentro da baliza brasileira, perante o espanto generalizado.
A Itália, a dez minutos do fim do jogo, ficava numa inesperada posição de apuramento.
O Brasil, o mágico Brasil, o assombroso Brasil, começava a ver bem perto de si a porta de saída do Mundial.
Os últimos momentos foram dramáticos. Zoff defendia tudo. Defendeu inclusivamente sobre a linha uma bola que fez gritar golo em todo o estádio. Em todo o mundo.
A Itália queimava tempo. Parecia sempre saber muito bem como o fazer.O árbitro apitou. Ninguém acreditava no que se estava a passar.Trinta e dois anos depois do “Maracanazzo”, a nação brasileira voltava a chorar uma dolorosa e cruel derrota da sua selecção. Em Portugal o sentimento era quase idêntico. Estava afastada do título mundial uma das melhores selecções de todos os tempos.
A Itália, sabe-se, embalou para o título mundial, com Rossi a marcar em todos os jogos até à final.O Brasil de Telé Santana teria nova oportunidade no México 86. Mas, noutro sublime jogo, seria novamente eliminado, novamente de forma cruel, por penáltis, diante da França de Platini.
Daí em diante o futebol não mais foi o mesmo.
A arte deu lugar ao rigor, a criatividade perdeu para a força.
Em Sarriá nessa tarde, morreu um conceito de futebol.

Um jogo que ficou para a história como um dos mais belos de sempre.
Inesquecível !
O Brasil no Mundial 82:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ayrton Senna : O melhor piloto de todos os tempos


Ayrton Senna foi, é e sempre será o meu piloto preferido da Formula1.

Lembro muito bem dos vários domingos que passei a ver os Grandes Prémios de Fórmula 1 na RTP1 e o prazer que eu tinha quando via o Senna a cortrar a meta em 1º lugar.

Ayrton Senna da Silva nasceu a 21 de Março de 1960, e em pequeno sofria de problemas de coordenação motora, resolvido eficazmente quando aos quatro anos começou a conduzir um pequeno veículo.

Depois foi o que se sabe, Ayrton transformou-se no melhor piloto de todos os tempos, era alguém que nos deliciava com a sua magia ao volante de um monolugar de Fórmula 1, alguém que não deixava ninguém indiferente, alguém com um talento, competência, concentração, rapidez e empenhamento nunca vistos, que se encontrava próximo da perfeição, que reunia em si todas as características que um piloto de competição deve possuir, alguém que marcou a Fórmula 1 para sempre.

Senna era genial, único e insubstituível.

E agora vamos eleger Ayrton Senna como o melhor piloto de todos os tempos!

O jornal Corriere Della Sera, da Itália, está a fazer uma pesquisa sobre quem é o melhor piloto de todos os tempos e os votos podem ser feitos pela internet.

Participem clicando aqui.

E já sabem, Ayrton Senna, o melhor de sempre!!!