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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mitch Mitchell, para sempre.


Estou chocado com a morte desta verdadeira lenda.

Mitch Mitchell (nascido em 9 de Julho de 1947-12 de Novembro de 2008) foi baterista de Jimi Hendrix.

Mitch Mitchell foi um dos mais influentes bateristas entre o final dos anos 60 e começo dos anos 70. Ele destacou-se no seu trabalho junto com a excelente banda The Jimi Hendrix Experience, e é consagrado pelo seu lendário trabalho em canções como "Manic Depression", "Fire", "She´s so fine" e "Third Stone From the Sun", por exemplo.

Mitch possuía uma forte influencia do jazz e assim como muito bateristas da sua época, ele foi fortemente inspirado pelo trabalho de Elvin Jones. Ele seguiu o seu dinamismo, dando assim um estilo ao grupo, e foi-lhe dada a liberdade de inovar junto ao lendário Jimi Hendrix, e ainda assim manter seus grooves firmes e sólidos. Mitch iniciou um estilo de tocar no qual seria chamado mais tarde de fusão.

Em 1966, este impressionante e inovador estilo de tocar nunca havia sido ouvido antes no rock. Foi Mitch Mitchell que o introduziu.

Até então, sempre se utilizou a bateria como instrumento de segundo plano junto com o baixo. Junto com o estremecedor som da guitarra e canções de Jimi Hendrix, Mitch tocou e ajudou a redefinir o rock. Em 1969 é o baterista dos Dirty Mac no álbum dos Rolling Stones "Rock´n Roll Circus", com Eric Clapton,Keith Richards e John Lennon, onde, junto com eles, interpreta a música dos Beatles do álbum branco,Yer Blues. Mitch era o mais importante colaborador musical de Jimi Hendrix, tocando no trio The Jimi Hendrix Experience de Outubro de 1966 até metade de 1969, sendo esta sua banda em Woodstock em agosto de 1969, e também na banda "Cry of Love" em 1970. Jimi Hendrix poderia eventualmente gravar faixas em estúdio junto com Mitch, mas durante as apresentações um complementava o outro de forma entusiasmante. Após a morte de Jimi Hendrix, Mitch (junto com o engenheiro Eddie Kramer) finalizou a produção do trabalho de várias gravações incompletas de Jimi Hendrix, que resultou num álbum póstumo lançado com o nome "Cry of Love" e "Rainbow Bridge". Em 1972, ele uniu-se a dois guitarristas, April Lawton e Mike Pinera para formar os Ramatam. Gravaram um álbum e abriram concertos para os Emerson Lake & Palmer em vários concertos. Ironicamente, Mitch havia sido convidado a tocar nos Emerson Lake & Palmer em 1970, mas declinou em favor de tocar com Jimi Hendrix. Mitch também fez alguns trabalhos com Terry Reid, Larry Coryell,Jack Bruce e Jeff Beck (substituíndo Cozy Powell, que estava doente). No final dos anos 70 até os anos 90, Mitch pouco sobressaiu, retirando-se para estar com sua família, fazendo trabalhos eventuais (como no álbum "Long Walk Home" de Junior Brown) e também participando de vários videos e entrevistas relacionadas com Jimi Hendrix.

Mais recentemente, fez parte da banda "Gypsy Sun Experience" e da "Experience Hendrix Tour", ambas bandas de homenagem a Jimi Hendrix, junto com o antigo baixista de Jimi Hendrix, Billy Cox e o guitarrista Gary Serkin. Ultiimamente com a "Experience Hendrix Tour", tinha tocado com Slash (Ex.Guns ´n Roses e Velvet Revolver), Paul Rodgers (Ex. Free, Bad Company, e agora nos Queen), Buddy Guy, Eric Johnson, Steve Winwood (Ex.Spencer Davis Group e Traffic) Billy Cox (Ex.Jimi Hendrix), Paul Rodgers (Ex.Free, Bad Company e agora nos Queen), Eric Gales, Kenny Wayne Shepperd, etc.

Muitos bateristas que apareceram depois dele, como John Bonham, Ian Paice, Steve Gadd,Terry Bozzio, Vinnie Collaiuta e Carl Palmer, por exemplo, eram excelentes executantes, mas para mim, Mitch Mitchell é o melhor baterista de Rock de todos os tempos.Ele além de introduzir devido às suas influências jazzística, a fusão no Rock, tocava rock como se fosse jazz, e parecia natural. Ele era o irmão e a química musical de Jimi Hendrix.

Bom, isso tudo para deixar claro o que vou dizer agora sobre a arte de Mitch Mitchell: não é possível entender a bateria de Mitch Mitchell sem tentar (ênfase no tentar) tocá-la. Não adianta ler todas as coisas sobre as gravações dos Jimi Hendrix Experience, estudar as partituras (se é que existem) das suas batidas, ou ver os vários vídeos da época. Nada disso dá a real dimensão da arte de Mitch Mitchell, o homem que acompanhou um dos maiores fenómenos, senão o maior, que a música já viu: Jimi Hendrix. Não é fácil tocar como Mitch Mitchell. Talvez pelo seu profundo interesse pelo jazz, Mitch Mitchell conseguia tocar rápido e suave, com viradas ferozes, dando sempre a impressão de que estava improvisando à medida que a música avançava. Não era um baterista tradicional de rock. Não estava muito ligado na marcação do tempo, nem na cadência da batida. Ao vivo, então, era um Deus nos acuda (no bom sentido).

Se compararmos os dois principais bateristas de Jimi Hendrix (Buddy Miles e Mitch Mitchell), vamos ter visões diametralmente opostas sobre ao conceitos de ritmo. Buddy Miles era uma locomotiva de carga, firme e compassada, focada no percurso. Já Mitch Mitchell era um carro desportivo voando baixo pela auto-estrada, cortando todas as curvas e ultrapassando todos,chegando sempre, inteiro ao destino. É que para Mitch Mitchell o tempo era uma coisa mais maleável, que podia (e devia) variar de acordo com a música. Muito da sua noção de ritmo era ligada à guitarra de Jimi Hendrix. Tanto que muitas das sessões de gravação começavam apenas com os dois. Vou falar mais das características de Mitch Mitchell como baterista a partir de algumas músicas dos Jimi Hendrix Experience:


MANIC DEPRESSION (Are You Experienced?, 1967) Essa batida é sensacional! Numa música de 3 tempos, Mitch Mitchell consegue criar um clima quase mantrico (existe essa palavra?). A dinamica com que ele toca o tom e os pratos é muito difícil de se repetir. Acredito que o tamanho mignon de Mitch Mitchell acabou definindo o volume de sua bateria. Juntem-se a isso as técnicas de gravação da época, e temos um som impossível de ser reproduzido. Num dos muitos discos em homenagem à música de Jimi Hendrix, e lembro-me bem de uma versão de Manic Depression tocada por Jeff Beck e Seal. Adivinhem a única coisa que ficou a dever?


FREEDOM (The Cry Of Love, 1970) (First Rays of New Rising Sun) 1998 Que música f... O bumbo meio deslocado na estrofe é muito doido (mas funciona). Essa formação com Billy Cox no baixo é impressionante, porque o baixo, finalmente, ancora a música. Qualquer baterista que consiga tocar esse arranjo merece o respeito de todos. KILLING FLOOR (Jimi Plays Monterey, 1967) Bem, o que fazer depois de uma introdução de guitarra dessas? Acho que Mitch Mitchell segurou bem o rojão e ainda vitaminou o arranjo. Note como ele chega a ficar uns 3 compassos simplesmente solando em cima da música. Já ouvi algumas versões desse clássico de Howlin’ Wolf, mas nenhuma chegou perto desse nível de energia Esse concerto de Monterey mostra a banda no auge. Detalhe para a vozinha de Brian Jones na apresentação. SHE'S SO FINE (Axis: Bold As Love, 1967) Música do reclamão Noel Redding (ele também canta). Essa introdução de bateria é perfeita para tirar onda na hora da passagem de som. Gosto muito da forma solta com que Mitch Mitchell toca a música. E que solo de guitarra, hein? A música tem um estilo clássico do rock dos anos 60.Mitch Mitchell toca pate dessa música ao contrário.Com viranços inversos.Imaginem.Ouçam e digam.


LONG HOT SUMMER NIGHT (Electric Ladyland, 1968) Essa música faz parte de um disco muito zoneado, do qual participaram desde Steve Winwood e Brian Jones até um motorista de táxi. Por isso, a chance de Mitch Mitchell não ter tocado essa bateria é real. Mas, pelo o que ouvi e li a respeito, eu continuo a apostar na sua execução. Ele faz aí uma batida funky. Também com uma estrutura dessas, poucos conseguiriam dar uma consistência maior. REMEMBER (Are You Experienced?, 1967) De novo, a dinâmica. Ele toca a música inteira na caixa e nos tons, não usa nem o timbalão nem os pratos em nenhuma marcação. Li que Jimi Hendrix se havia inspirado em Otis Redding para compor essa música. Tem tudo a ver, mesmo.


UP FROM THE SKIES (Axis: Bold As Love, 1967) Aqui temos o jazzista Mitch Mitchell. Ele mostra que tem o controle das vassourinhas, mas não se contenta em marcar a pulsação para os colegas. Gosto muito da forma como ele faz os viranços em diferentes tempos e climas ao longo dessa música. Música excelente de um disco excelente. Esse som de bateria eu considero algo bem perto da perfeição.


CROSSTOWN TRAFFIC (Electric Ladyland, 1968) A música começa com o pé na porta. Nenhuma das versões que já ouvi dessa música chega perto do clima funky dela. Notem como a bateria de Mitch Mitchell está sempre um pouco atrasada em relação à batida da estrofe. Se essa gravação fosse realizada por Buddy Miles, certamente, seria mais conhecida no meio baterístico (não sei...).


HIGHWAY CHILE (Are You Experienced?, 1967) Sempre falo nisto com os amigos: não é nada fácil tocar essas batidas meio R&B, meio shuffle. Ainda mais quando ela vai mudando o tempo todo, como nesse exemplo. Acho a execução de Mitch Mitchell impecável. Note-se que numa determinada fase da música, a baqueta dele deve ter caído, ou qualquer coisa do tipo. Mas a bateria está tão em cima, que eles acharam (com razão) melhor nem mexer.


BOLD AS LOVE (Axis: Bold As Love, 1967) Balada belíssima com letra doidíssima. Gosto muito da forma como Mitch Mitchell vai crescendo com a bateria ao longo da música. Considero a batida meio suspensa do refrão a mais clássica da cozinha Mitchell/Redding. Os Pretenders fizeram uma versão dessa música, mas não conseguiu o mesmo balanço – e olhem que o baterista deles é sensacional.


CAN YOU SEE ME (Jimi Plays Monterey, 1967) De novo, o pé na porta ao invés da campainha. Do mesmo impressionante show de Killing Floor. Nem tenho muito o que dizer, apenas que se eu estivesse escalado para tocar depois deles, fingiria uma dor de barriga e voltaria para casa. Sei que os The Who tocaram no mesmo festival (não sei se foi na mesma noite), mas a parada deve ter sido feia... Coitado do Keith Moon...


SPANISH CASTLE MAGIC (Axis: Bold As Love, 1967) Talvez pelas paradas da música, Mitch Mitchell não tenha alucinado tanto como de costume. Note como a batida dessa música é a mesma que de Bold As Love. Esse clima é puro funky. Experimente acelerar o andamento e vocês teram uma base para qualquer música de James Brown. Gosto muito da forma bem estruturada dessa bateria, principalmente o bumbo nas estrofes. FIRE (Are You Experienced?, 1967) Se tivesse que escolher apenas uma música para mostrar o quanto Mitch Mitchell era sensacional, escolheria essa. Para cada uma das paradas que a música faz, a bateria vem com algo novo e extraordinário. Nenhuma banda (ou baterista) conseguiu chegar perto desse misto de agressividade e balanço.


THIRD STONE FROM THE SUN (Are You Experienced?, 1967) A primeira vez que alguém tocou jazz no Rock, e esse baterista, foi, evidntemente,Mitch Mitchell. MAY THIS BE LOVE (Are You Experienced?, 1967) Para encerrar, uma experiência de estéreo altamente. Notem como a bateria vai mudando de canal ao longo da música. Sensacional... E já nem falo dos concertos ao vivo, só falei aqui nalgumas músicas de Monterey...


Escrevi isto, e não falo dos media que opinam sobre música, porque aí grande parte do conecimento é zero.

Porque já vi muitos músicos bons dizerem asneiras por falta de um senso crítico mais apurado e racional.

Da mesma forma, os jornais e revistas estão cheios de idiotas a falar de água sem nenhuma propriedade aparente.

Abraços a todos.

Mitch Mitchell, nasci a ouvir-te, cresci a ouvir-te, ouço e viverei a ouvir-te.

Para sempre na nossa lembrança.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O melhor e mais belo automóvel de todos os tempos.








Mercedes Benz 300 SL de 1955
Motor
Tipo: Seis cilindros em linha
Construção: Bloco e cabeça em ferro fundido
Válvulas: Duas válvulas por cilindro, accionadas por um veio excêntrico à cabeça
Diâmetro em curso: 85 x 88 mm
Cilindrada: 2996 cc
Relação de compressão: 8,5:1
Alimentação: Injecção mecânica Bosch
Potência máxima: 243 cv às 6100 rpm
Binário máximo: 293 Nm às 4800 rpm
Velocidade máxima: 260 Km/h
0-100 Km/h: 9,0 segundos

Transmissão
Manual de quatro velocidades

Carroçaria/ Chassis
Coupé de duas portas em aço e liga, com chassis em aço tipo "spaceframe"

Equipamento rolante
Direcção: esferas circulantes
Suspensão dianteira: triângulos duplos, com molas helicoidais e amortecedores telescópicos
Suspensão traseira: semieixos com molas helicoidais e amortecedores telescópicos
Travões: tambor (dianteiros e traseiros)
Jantes: discos de aço 5 x 15"
Pneus: tela cruzada 6,7 x 15"

Dimensões
Comprimento: 4521 mm
Largura: 1778 mm
Altura: 1262 mm
Distância entre eixos: 2388 mm
Via: 1384 mm (dianteira), 1435 mm (traseira)
Peso: 1293 kg

Em 1954 !!!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Jimi Hendrix - Hey Joe

Jimi Hendrix - Hey Joe, ao vivo no "Monterey Pop Festival", em Monterey,California, a 18 de Junho de 1967.

Divinal.

Kate Bush - Strange Phenomena

Kate Bush - Strange Phenomena, ao vivo no Hammersmith Odeon,Londres,1979.

Pura Magia.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

PINHEIRO DE AZEVEDO


José Baptista Pinheiro de Azevedo.

Conhecido como o "Almirante sem medo",o militar foi,após a "revolução dos cravos", membro da Junta de Salvação Nacional, ministro da Defesa, primeiro-ministro e candidato a Presidente da República.Muitos recordam-no pelo grito de "Bardamerda para o fascista!",que lançou de um Parlamento sequestrado no PREC pós 25 de Abril.

Nascido em Luanda em 1917,Pinheiro de Azevedo entrou para a Academia Naval aos 17 anos e para a Guarda Marinha aos 20. Foi professor de Astronomia e Navegação na Escola Naval e professor do "Curso de Capitães" na Escola Náutica. Deixou vários livros técnicos sobre Trigonometria, Meteorologia e Navegação. Durante a guerra colonial comandou a defesa marítima da província angolana do Zaire. Entre 1968 e 1971foi adido naval da embaixada portuguesa em Londres.

Aquando do 25 de Abril, era capitão-de-mar-e-guerra e comandante dos fuzileiros. Foi membro da Junta de Salvação Nacional, o órgão provisório de governo formado logo após a revolução, e desempenhou um papel importante no período a que se chamou PREC (Processo Revolucionário Em Curso).

Em Agosto de 1975, foi designado primeiro-ministro do VI Governo Provisório, substituindo Vasco Gonçalves.
Pinheiro de Azevedo chefiou-o até às eleições de 1976,das quais saiu o I Governo Constitucional.

Às vezes lembro-me do Almirante Pinheiro de Azevedo, porque proferiu algumas tiradas que ficaram para sempre na nossa memória, e muitos já concerteza ouviram a história da "fumaça" no Terreiro do Paço.
Esta sua entrevista aquando do seu sequestro é, no mínimo,hilariante.
Portanto aqui está o Almirante Pinheiro de Azevedo ao seu melhor estilo.





A 12 de Novembro de 1975,estando o Parlamento cercado por operários da construção civil em greve,alguns manifestantes chamaram fascista a Pinheiro de Azevedo.A resposta não se fez esperar:"Bardamerda para o fascista!".
E outras:
"Já chega, não gosto de ser sequestrado, é uma coisa que me chateia, pá!"
"Não , não não, essa dos padeiros concerteza... sim, talvez, olhe e daí talvez."
"E eu agora, eh pá, vou almoçar pá!!!"

Ainda durante o cerco, o "almirante sem medo" teve uma atitude inédita: auto-suspendeu-se por falta de condições para governar. Poucos dias antes, durante uma manifestação de apoio ao Governo, no Terreiro do Paço, em Lisboa, rebentaram granadas de gás lacrimogéneo lançadas pela Polícia Militar e petardos do PRP contra os manifestantes. "É só fumaça!", assegurou imediatamente o primeiro-ministro,acrescentando que "O povo é sereno".

De facto,Pinheiro de Azevedo tinha toda a razão,o povo é sereno...e foi sereno!!!
Em lado nenhum do mundo se fez tamanha revolução politico-social de forma tão pacífica.

sábado, 19 de abril de 2008

A GUERRA COLONIAL VISTA POR JOAQUIM FURTADO

Excelente documentário sobre a Guerra Colonial que está a passar na RTP.
Desde miúdo que me contam histórias em casa sobre a guerra colonial, porque o meu Pai foi mobilizado para os teatros da guerra colonial, e cumpriu serviço militar em Angola, de 1969 a 1971 como condutor de Auto Rodas. Era ele que levava os soldados dos "Dragões de Angola" para o combate no "Unimog", e era ele também o "Chauffer" do Governador Civil em Silva Porto.

Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho de Joaquim Furtado.

Os testemunhos pessoais obtidos são de um valor histórico, e humano, extraordinário; a isenção, política e ideológica, na abordagem de um acontecimento dramático na vida de povo português, e do povo angolano, é um exemplo de profissionalismo e de coragem cívica exemplares.

A montagem permite recriar os ambientes da guerra com seriedade narrativa e estética tornando apetecível um tema repugnante, confrontando os antigos combatentes, desvendando os antecedentes e revelando detalhes desconhecidos mesmo dos próprios protagonistas.

Impressionou-me a narrativa implícita no documentário expondo a fraqueza de Portugal como potência colonial. Como foi possível manter um império com pés de barro durante tanto tempo?

Afinal não existia em Angola, nem em qualquer outra colónia, nem planos de contingência, nem forças policiais e militares revelantes, nem infraestruturas, nem armas, nem outro projecto que não o da pura exploração das riquezas naturais e da mão de obra barata, herdeira do esclavagismo.
Aqueles portugueses que trabalhavam nas regiões do interior de Angola ficaram, de um dia para o outro, abandonados à sua sorte. Eles, na sua esmagadora maioria, não eram nem fascistas nem colonialistas. Foram vítimas de uma política que, como dizia, com aguda lucidez, num debate na RTP, o General Galvão de Melo, radicou no atraso de um processo de descolonização que deveria ter começado logo após o fim da Segunda Grande Guerra.

Resultado: 10 000 mortos e perto de 30 000 feridos.

O que se ganhou com aquela teimosia, com aquele orgulho...? O que se perdeu sabemos nós.

10.000 vidas.
Louvor aos Soldados e Hinos à sua memória.


quinta-feira, 10 de abril de 2008

ZX SPECTRUM 48K.

Parabéns a você!!! Fez 25 anos este belo menino e companheiro!
Há uns anos atras, mais propriamente em 1986 e 1987, acordava todos os sábados e domingos por volta das 9 horas da manha e lá ia eu de pijama afinar o leitor de cassetes, ligar a TV, LOAD " " Enter.... e ..... esperava...esperava.....esperava...e lá aparecia o jogo... mas quando às vezes os jogos não "entravam"o nosso pesadelo ao fim dos 5 minutos era esta frase: "R Tape loading error, 0:1"...

Muitas horas passei a jogar. Só podia jogar ao fim-de-semana, para não afectar os estudos. E tinha de ter os trabalhos de casa todos feitos!
Aquilo é que era trabalhar na 6ª feira à tarde e noite... E eu, que nunca fui de me levantar de manhã cedo para ir para a escola, acordava ao fim de semana mais cedo do que durante a semana, só para ter mais horas de jogo antes de almoço. Punha o jogo a ler porque cada jogo a carregar, demorava cerca de 5 minutos numa cassete.
Era jogar, jogar, e depois, era esperar que a Minha Querida Mãe me chamasse para almoçar.
Sim eu passava literalmente cerca de 4horas ligado à maquina logo de manhã.
O Clube de jogos de Spectrum que eu tinha com o Rui Neiva, o "Softy Club", onde nós íamos a Braga à "Casa Viola"comprar os jogos originais para depois gravar esses mesmos jogos no programa pirata "omnicopy 2" e vendê-los aos outros fanáticos dos jogos do Spectrum... ;)

E as "pilhas" de cassetes, algumas de 90 minutos cheias de jogos...
Tudo pirateado, que na altura pirataria não era crime! :)

MAS ERA TÃO BOM!!!
E ainda mais quando se combinavam tardes inteiras em casa dos amigos a jogar horas e horas sem parar...

Alô; Germano Amorim, Jorge Brandão, Pedro Araújo, Rui Neiva, Nuno Mourão, Rui Araújo, Nuno Cruz, Filipe Alcides...

Manic Miner, Jet Pac, Full Throtlle, Jetset Willy, Scuba Dive, Winter Games, Rambo,Chuckie Egg, Match Day, Formula One, World Series Basketball, Football Manager, Chequered Flag...

Tenho saudades...

Quando acabar este post, vou "matar" saudades e jogar qualquer coisita.

Não no meu Timex ZX Spectrum 48k original,que me deu a minha Tia Mila, ou nos meus "Computone" ou o "Sanyo DR 101", que eram os dois leitores de cassetes que eu tinha para os jogos entrarem e que ainda devem funcionar (espero que sim), porque tenho de os encontrar algures na minha arrecadação.

Vou é utilizar um dos emuladores para PC e jogar! Já sem os 5 minutos à espera que o jogo carregue!!!

Se também estiverem para aí virados...


Grande ZX Spectrum 48k!!!

sábado, 15 de março de 2008

ELECTRIC LADYLAND


JIMI HENDRIX-Músico.
Génio da criatividade, da inovação e da guitarra electrica.
A capa de seu disco duplo "Electric Ladyland" de 1968 foi censurada em alguns países.

O motivo:
As “mulheres eléctricas” estão todas nuas, em várias posições.
Nudez artística condicionada e proibida pelo conservadorismo e censura.
Para mim é a capa mais linda de sempre de um disco, e ainda hoje é objecto de culto e de procura para quem colecciona vinil, porque, além da história da censura, a capa das mulheres nuas foi de imediato substituída por outra capa mais "soft".
Quem tem esta capa original, tem um tesouro artístico, social e cultural.

sexta-feira, 7 de março de 2008

ARCOS DE VALDEVEZ NO EBAY











Estava eu a "navegar" pelo EBay, quando de repente, encontro estes postais antigos da nossa linda vila que é Arcos de Valdevez.

Os postais, dos anos 60/70, são referentes à nossa ponte sobre o Rio Vez e ao nosso Município.

O EBay, para quem não sabe, é actualmente o maior "site" do mundo para a venda e compra de bens, é o mais popular shopping da internet e possivelmente foi a pioneira neste tipo de serviços.
Até no EBay se encontra Arcos de Valdevez, a vila mais linda de Portugal, onde em 1140, graças ao Torneio de Valdevez, se deu o primeiro passo para a celebração do Tratado de Zamora em 1143.

Esta nossa paisagem sobre o Rio Vez, é das imagens mais lindas que podem existir para os nossos olhos e sentidos!

domingo, 2 de março de 2008

EXCITAÇÃO DA SEMANA: JIMI HENDRIX EXPERIENCE, "LIVE AT MONTEREY".






Live at Monterey é agora reeditado e recupera as memórias da actuação histórica da Jimi Hendrix Experience no festival Monterey Pop, de 1967.
O cartaz do evento californiano faz de cada melómano, um obsessivo-compulsivo a tentar inventar a máquina do tempo: por lá passaram Otis Redding, Ravi Shankar, The Who, Janis Joplin, Canned Heat,Simon and Garfunkel, Jefferson Airplane ou os Buffalo Springfield, e muitos, muitos outros que salvaguardaram o seu nome na lista dos eternos.

São várias as incidências que contribuem para que a sua passagem por Monterey esteja inscrita hoje nos compêndios da história do rock: Jimi Hendrix conseguiu ser o melhor naquele poderoso festival; aquele era o primeiro grande concerto no seu país-natal; e o guitarrista dava a conhecer ao mundo o potencial dos então desconhecidos amplificadores Marshall (que deram uma projecção sonora inovadora ao espectáculo de poucos mais de 40 minutos).
Esta conjugação de factores só não consegue ser tão explosiva quanto a própria performance de Jimi Hendrix e da sua banda inglesa Experience (Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria) dada naquele palco.

Grandes canções de Hendrix como «Foxey Lady», «Can You See Me» ou «Purple Haze» são engrandecidas pela importância do momento, e as versões de que era mestre, como «Like a Rolling Stone» (de Bob Dylan), o mítico «Hey Joe» e o famoso «Wild Thing» (criado pelos Troggs), tiveram naquela noite o mesmo destino, com blues demonizados a uma velocidade rebelde de Concorde.

O disco tem a desvantagem de não ser ilustrado pelas imagens inesquecíveis de Jimi Hendrix a queimar a guitarra ou pela reacção boquiaberta de um público que estava a descobrir um novo mundo, entre outras peripécias mais ou menos musicais (mas todas elas fascinantes).

Em Live at Monterey sente-se e ouve-se o maior vulcão rock & roll de sempre em plena erupção, vê-se o melhor concerto de sempre, (olá revista Uncut), e por isso, o dvd faz tremer, com efeitos geológicos locais onde quer que sejavisto e ouvido.
Ver,ver,ver,escutar, escutar, escutar.
Faixas:
01. American Landing Part 1
02. Intro
03. Killing Floor
04. Foxey Lady
05. Like A Rolling Stone
06. Rock Me Baby
07. Hey Joe
08. The Wind Cries Mary
09. Purple Haze
10. Wild Thing
11. American Landing Part 2
12. Killing Floor (3 Camera Angles)
13. Foxey Lady (3 Camera Angles)
14. Like A Rolling Stone (3 Camera Angles)
15. Hey Joe (2 Camera Angles)
16. Wild Thing
17. Like A Rolling Stone
18. Stone Free

Hendrix Nosso Senhor e as aparições em Monterey. Milagre!
Abraço!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Brasil no Mundial 82 - Alô RTP Memória!!!


A caminho de Espanha, o escrete passou aqui em Portugal para um estágio.

Pela TV e rádios passavam jornalistas brasileiros em série. Falavam de uma super-equipa, apesar de dois nomes muito contestados: Valdir Peres, o guarda-redes, e Serginho, o ponta-de-lança.

Quando o Brasil chegou à Portela e um jornalista brasileiro perguntou a Valdir Peres se achava se era o melhor guarda redes do Mundo, abri a boca de espanto. Não fazia a mínima ideia de quem era Valdir Peres, se era bom ou não, mas o melhor "Keeper" do Mundo não era de certeza. Para mim, os melhores do mundo eram, o Dasaev, o Zoff, o Schumacher,o Pfaff... Aliás o frango do primeiro jogo criou uma fama a Valdir Peres de pior guarda redes do Mundo, mas esse título era exagerado.
O Mundial Espanha 82 marcou indelevelmente a minha infância.
Foi uma competição extraordinária, disputada aqui mesmo ao lado (ainda que as distâncias nessa altura fossem bem mais difíceis de percorrer), e que juntou figuras como Maradona, Platini, Zico, Rummenigge, Breitner, Falcão, Sócrates, Paolo Rossi, Conti, Tardelli, Keegan, Krankl, Panenka, Dino Zoff, Kempes, Boniek e muitos outros, numa época em que o futebol ainda não tinha definitivamente sido conquistado pelo pragmatismo dos resultados.

É verdade que Portugal não esteve presente, mas isso até então era vulgar – apenas em 1966 a selecção nacional conseguira o apuramento. Não foi portanto esse “pormenor” que impediu que o país futebolístico parasse durante um mês, em frente dos televisores (a maioria ainda a preto e branco), a deliciar-se com a quantidade e qualidade das estrelas que lhe entravam pela casa dentro.
À falta de Portugal, era o Brasil (que até estagiou cá em Portugal) que nos alegrava a alma.Recorde-se que este Mundial contou com a participação de 24 países, o que além de representar uma novidade em termos de formato, significava um número acrescido de jogos – de 38 jogos nos mundiais anteriores, tínhamos agora 52, todos, ou quase, transmitidos pela televisão.
Vivia-se ainda nos dias da rádio, em que as transmissões televisivas se cingiam normalmente à final da Taça de Inglaterra, à final da Taça dos Campeões, e a um ou outro jogo da selecção nacional no estrangeiro.
Imagine-se pois o regalo que era durante um mês poder desfrutar de 52 jogos entre as melhores selecções do mundo, recheadas de algumas das estrelas mais cintilantes da história da modalidade.
Conforme disse, a esmagadora maioria dos portugueses apoiava a selecção brasileira. O nosso país, depois das convulsões revolucionárias, vivia uma fase de reencontro com os seus símbolos nacionais, e o mais importante de todos era a língua. Esse aspecto, paralelamente à possibilidade de êxito que uma selecção brasileira sempre abre em qualquer competição, fazia com que milhares, para não dizer milhões, de portugueses vibrassem com o “Escrete Canarinho”,até porque essa equipa do Brasil não era uma equipa qualquer.Se me perguntarem qual foi o melhor jogador do meu tempo, não hesito: Diego Maradona. Se me perguntarem qual o melhor conjunto, talvez responda o Milan de Sacchi ou o Liverpool de Paisley... O meu Benfica que o diga...
Se a questão contudo for qual a equipa que mais me encantou, ou aquela cujo perfume mais sedução espalhou, essa foi sem dúvida a selecção brasileira de 1982, que praticava o futebol mais bonito que alguma vez pude ver.
Era interessante que a RTP Memória pudesse um dia passar esses jogos, pois o requinte técnico, a magia colectiva alicerçada no talento individual de vários foras-de-série, a força ofensiva, a criatividade a tocar os limites da nossa imaginação, fazia desse Brasil uma selecção empolgante como nenhuma outra, e dos seus jogos, espectáculos deslumbrantes da mais pura arte.
Se no início do Mundial os portugueses já estavam com o “Escrete”, ao longo da prova os brasileiros terão cativado quase todo o mundo, e quando disputaram o acesso às meias finais coma Itália, talvez só na “bota mediterrânica” não arregimentassem apoios.
O Brasil começou a prova com a URSS, num jogo muito aguardado, até por motivos políticos – no Brasil a ditadura de Figueiredo ainda estava para durar, e na União Soviética vivia-se ainda a era Brejnev. Ao frango do guardião Valdir Peres nos primeiros minutos devido a um remate de Andrei Bal, respondeu o Brasil com uma segunda parte magistral, e dois golos sublimes de Sócrates e Eder (este no último minuto) que garantiram a vitória.
Em seguida o Brasil derrotou facilmente a Escócia por 4-1, e a Nova Zelândia por 4-0, com mais duas exibições luxuosas, apurando-se com toda a tranquilidade para a segunda fase da prova.
No grupo A, uma Itália tristonha e ineficaz conseguiu o apuramento por um…golo. Três empates deixaram-na atrás da Polónia, e em igualdade pontual com os surpreendentes Camarões. No "goal-average", mais um golo marcado que os africanos levou a Squadra Azurra para a segunda fase. Longe estávamos de saber onde chegaria depois.
O Mundial 82 teve um figurino competitivo único, que não mais se repetiria. Dos seis grupos iniciais eram apuradas doze selecções (até aqui tudo normal), mas depois, ao invés de eliminatórias, havia outra fase de grupos, então com quatro poules de três equipas cada.
Brasil, Itália e Argentina (com a base da equipa campeã em 78 reforçada com…Maradona), fruto dos segundos lugares destes dois últimos, constituíram um dos agrupamentos.
Um luxo !
Jogariam em Sarriá, ex-estádio do Espanhol de Barcelona (hoje demolido). Na primeira jornada Itália-Argentina, depois o derby sul-americano e por fim a reedição da final de 70.
Logo no primeiro jogo, a Squadra Azurra orientada por Enzo Bearzot, mostrou que as dificuldades da primeira fase não passavam de um equívoco. Com uma extrema eficácia na arte de contra-atacar, derrotou os campeões do mundo por 2-1.
Na segunda ronda tivemos oportunidade de desfrutar de mais um festival Brasil. Vencendo categoricamente a Argentina por 3-1 (podiam ter sido muitos mais), o Escrete realizou talvez a melhor de todas as suas exibições na prova. Maradona foi expulso por agressão a Batista, e a Argentina dizia adeus à competição e à revalidação do título. Ao Brasil bastaria o empate frente à Itália para seguir rumo às meias finais, onde tinha a Polónia à sua espera.

Chegou-se assim ao decisivo jogo, de um grupo onde, mau grado os nomes em presença, o Brasil, pelo que mostrara até aí, era claramente favorito.Numa tarde de sol e calor, a equipa de Tele Santana actuou com o seu onze base:
Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Cerezzo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho e Eder.
Com um meio campo deslumbrante, o Brasil espalhava magia pelos relvados. Mas o seu guarda-redes, a sua estratégia defensiva e o seu ponta de lança (Serginho), ficavam um tanto aquém da qualidade geral da equipa.
Os italianos, matreiros, saberiam explorar isso muito bem.Enzo Bearzot fez alinhar :
Zoff, Gentile, Scirea, Colovatti, Cabrini, Oriali, Tardelli, Antognioni, Conti, Rossi e Grazziani.
Apesar de não ter marcado qualquer golo na primeira fase, Paolo Rossi, depois de dois anos a cumprir castigo por corrupção e viciação de resultados (no célebre caso “Totonero” que levou o Milan para série B), (ainda me lembro quando contava esse sucedido ao meu querido amigo Germano Amorim), Rossi era ainda a grande figura da equipa.
Mas Bruno Conti, em início de carreira, estava a revelar também o seu enorme talento. A força defensiva da equipa era notável .Zoff ainda era a par de Dasaev,o melhor do mundo na altura , e Gentile vinha de uma marcação impiedosa sobre Maradona que o secou por completo.
Logo aos seis minutos de jogo, Rossi recebe um cruzamento ao segundo poste e cabeceia para o fundo da baliza de Valdir Peres. A Itália praticamente entrava a ganhar, causando sensação.
Ainda havia muito jogo pela frente, e isso tratou de demonstrar Sócrates, cinco minutos depois, após um passe perfeito de Zico, restabelecendo um empate que todos aguardavam com naturalidade.
A meio da primeira parte, Paolo Rossi aproveita um passe errado de Leandro, isola-se e dispara à entrada da área para o fundo da baliza de um ineficaz Valdir Peres.
A Itália voltava a surpreender, e colocava-se de novo na frente do marcador, resultado com que se atingiria o intervalo.
Na segunda parte viu-se a um verdadeiro massacre brasileiro em busca do golo da igualdade que, recorde-se, apurava o “Escrete”. A Itália contra-atacava com perigo. Assistia-se a um espectáculo de sonho, com qualidade técnica e intensidade competitiva levada aos limites.
A pouco mais de um quarto de hora do fim, Falcão recebe a bola na intermediária transalpina, simula que vai flanquear, aproveita a desmarcação inteligente de um colega para ganhar espaço e faz um potente remate cruzado que bate pela segunda vez o veteraníssimo Dino Zoff .
Era o delírio nas bancadas pintadas de verde e amarelo. E eu faço ideia o ambiente no Brasil...
A imagem de Falcão a correr de braços abertos em direcção ao banco ainda permanece na memória de muitos de nós como um dos mais belos e marcantes momentos desse mundial.
O mais difícil parecia feito, mas o dia era mesmo de Paolo Rossi.Ainda se festejava o golo de Falcão e acontece um canto contra o Brasil. A bola vai para a área, é devolvida pela defesa sul-americana, mas a segunda vaga apanha Rossi (colocado em jogo por Júnior), que completamente sozinho diante de Valdir Peres, não tem dificuldade em desviar a bola para dentro da baliza brasileira, perante o espanto generalizado.
A Itália, a dez minutos do fim do jogo, ficava numa inesperada posição de apuramento.
O Brasil, o mágico Brasil, o assombroso Brasil, começava a ver bem perto de si a porta de saída do Mundial.
Os últimos momentos foram dramáticos. Zoff defendia tudo. Defendeu inclusivamente sobre a linha uma bola que fez gritar golo em todo o estádio. Em todo o mundo.
A Itália queimava tempo. Parecia sempre saber muito bem como o fazer.O árbitro apitou. Ninguém acreditava no que se estava a passar.Trinta e dois anos depois do “Maracanazzo”, a nação brasileira voltava a chorar uma dolorosa e cruel derrota da sua selecção. Em Portugal o sentimento era quase idêntico. Estava afastada do título mundial uma das melhores selecções de todos os tempos.
A Itália, sabe-se, embalou para o título mundial, com Rossi a marcar em todos os jogos até à final.O Brasil de Telé Santana teria nova oportunidade no México 86. Mas, noutro sublime jogo, seria novamente eliminado, novamente de forma cruel, por penáltis, diante da França de Platini.
Daí em diante o futebol não mais foi o mesmo.
A arte deu lugar ao rigor, a criatividade perdeu para a força.
Em Sarriá nessa tarde, morreu um conceito de futebol.

Um jogo que ficou para a história como um dos mais belos de sempre.
Inesquecível !
O Brasil no Mundial 82:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ayrton Senna : O melhor piloto de todos os tempos


Ayrton Senna foi, é e sempre será o meu piloto preferido da Formula1.

Lembro muito bem dos vários domingos que passei a ver os Grandes Prémios de Fórmula 1 na RTP1 e o prazer que eu tinha quando via o Senna a cortrar a meta em 1º lugar.

Ayrton Senna da Silva nasceu a 21 de Março de 1960, e em pequeno sofria de problemas de coordenação motora, resolvido eficazmente quando aos quatro anos começou a conduzir um pequeno veículo.

Depois foi o que se sabe, Ayrton transformou-se no melhor piloto de todos os tempos, era alguém que nos deliciava com a sua magia ao volante de um monolugar de Fórmula 1, alguém que não deixava ninguém indiferente, alguém com um talento, competência, concentração, rapidez e empenhamento nunca vistos, que se encontrava próximo da perfeição, que reunia em si todas as características que um piloto de competição deve possuir, alguém que marcou a Fórmula 1 para sempre.

Senna era genial, único e insubstituível.

E agora vamos eleger Ayrton Senna como o melhor piloto de todos os tempos!

O jornal Corriere Della Sera, da Itália, está a fazer uma pesquisa sobre quem é o melhor piloto de todos os tempos e os votos podem ser feitos pela internet.

Participem clicando aqui.

E já sabem, Ayrton Senna, o melhor de sempre!!!

domingo, 27 de janeiro de 2008

Sugestão para os apreciadores de música:




















FRANK ZAPPA


1988 - You Can't do that on Stage Anymore, vol. 2 - The Helsinki Concert


O único da série de seis discos de "You Can´t do that on Stage Anymore" que captura uma única apresentação.
O Concerto foi gravado em Helsinquia na Finlândia a 22/09/1974.

A banda é da fase do excelente álbum "Apostrophe", considerada por muitos como uma das mais competentes já comandadas por Frank Zappa: George Duke (teclados), Napoleon Murphy Brock (sax), Ruth Underwood (percussão/marimba), Tom Fowler (baixo) e Chester Thompson (bateria).
A performance é impressionante. Este faz parte do conjunto de discos que eu conheci e me levaram a publicar esta mensagem.
Ouçam "Dupree's Paradise" seguida de "Satumaa (Finnish Tango)" e comparem com qualquer coisa dos Wheather Report, Mahavishnu Orchestra, etc... Tem ainda boas versões de "Stinkfoot" e da "Inca Roads". Gosto também muito da "Room Service" e do solo de "Pygmy Twylyte".
É muito interessante a introdução de Montana (Whipping Floss) que começa com o dobro da velocidade normal e é interrompida duas vezes pelo Zappa, que reclama de bom humor, os erros da banda. Na segunda, a uma voz feminina diz algo ao fundo (provavelmente a percussionista Ruth Underwood) e o Zappa diz "Is too fast for you?". Depois, a música recomeça ao ritmo normal.

Excelentes músicos.

Ficha Técnica:

Tush Tush Tush (A Token Of My Extreme) - 02:48

Stinkfoot - 04:19

Inca Roads - 10:55

RDNZL - 08:42

Village Of The Sun - 04:35

Echidna's Arf (Of You) - 03:30

Don't You Ever Wash That Thing? - 04:56

Pygmy Twylyte - 08:22

Room Service - 06:23

The Idiot Bastard Son - 02:40

Cheepnis - 04:29

Approximate - 08:11

Dupree's Paradise - 24:00

Satumaa (Finnish Tango) (Mononen) - 03:51

T'Mershi Duween - 01:32

The Dog Breath Variations - 01:39

Uncle Meat - 02:22

Building A Girl - 01:01

Montana (Whipping Floss) - 10:15

Big Swifty - 02:18


Frank Zappa--vocal, guitarra

Napoleon Murphy Brock -- sax, vocal

George Duke -- teclado, vocal

Ruth Underwood -- percussão

Tom Fowler -- baixo

Chester Thompson -- bateria


http://www.fzdb.de/

www.zappa.com/

http://www.zappa-analysis.com/

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Zapatismo

PREFÁCIO A UMA LENDA:

Francis Vincent Zappa Jr. (1940-1993) foi um génio musical felizmente reconhecido em vida. Descendente de gregos e sicilianos, filho de um matemático - meteorologista, nativo de Baltimore, adoptado pela Califórnia, cedo se interessou - como relatam os biógrafos - pelos "blues", composição e sociologia política. No fim dos anos 50 inscreveu-se no curso de Música Contemporânea em Darmstadt, onde provavelmente conheceu a nata da vanguarda erudita europeia.
Com raízes no rock, que olhava com ironia, sobretudo face à comercialização e embalagem mediática, estava à vontade em todos os dialectos do jazz, da fusão do free, e soube rodear-se de músicos de excepção nessas margens: Jean Luc Ponty e George Duke, Buell Neidlinger e os irmãos Fowler, os saxofonistas Ernie Watts e Wilson Felder, entre muitos outros.
Deixou a sua impressão digital em vários continentes musicais, do "clássico" ao "pop", e separou-se assim da sua própria pessoa, para criar um "género": daí "Zapatismo" .
Trata-se de uma espécie de Iluminismo lírico, que sintetiza, no século XX, quase todas as músicas de eras precedentes.
Uma análise profunda da linguagem "Zapatista", com exemplos MIDI e partituras, encontra-se em :
http://www.zappa-analysis.com/

Uma curiosidade de Frank Zappa:

As partes queimadas e partidas de uma Stratocaster que Jimi Hendrix destruiu no Miami Pop Festival em 1968 foram dadas por Jimi Hendrix a Frank Zappa, que mais tarde a reconstruiu e tocou com ela extensivamente durante os anos 70 e 80.
O som dessa guitarra pode se ouvir-se por exemplo, no álbum de Zappa "Zoot Allures", de 1976.