quinta-feira, 13 de março de 2008

BRIAN CLOUGH - "O VERDADEIRO SPECIAL ONE"













Quando eu comecei a ligar alguma coisa ao futebol, uma equipa reinava na Europa do futebol: o Nottingham Forest. Desde então que a minha admiração por esta equipa permaneceu ao longo dos anos, de tal forma que ainda hoje, quando eles estão na League One, todos os fins-de-semana me preocupo em ver qual foi o resultado do jogo deles. Na altura não o sabia, mas vim depois a descobrir a dimensão deste feito ao aperceber-me que o Nottingham Forest não é mais que um pequeno clube das Midlands de Inglaterra, com uma dimensão em nada comparável à de clubes como o Liverpool, Man Utd, ou Arsenal. E não fazia também ideia na altura de quem era o homem que tornou tudo isto possível, o autor deste autêntico milagre futebolístico: Brian Clough. Um personagem único na história do futebol, que ganhou o direito a ser considerado uma verdadeira lenda. É sobre ele que este post fala.
Brian Clough ganhou duas taças dos campeões com o Freamunde de Inglaterra, o Nottingham.
Brian Clough chegou ao Nottingham Forest em Janeiro de 1975.

Apesar dos seus 39 anos, não era um desconhecido no futebol.

Como jogador, numa carreira que terminou precocemente aos 27 anos após uma rotura dos ligamentos cruzados do joelho direito (que na altura significava o fim automático de quaisquer aspirações a jogar futebol), atingiu a impressionante marca de 251 golos em 274 jogos (incluindo 24 hat-tricks) ao serviço de Middlesbrough e Sunderland, sendo internacional inglês.

Como manager, já tinha conseguido o feito de levar o pequeno Derby County a campeão inglês e às meias finais da Taça dos Campeões Europeus, sendo eliminado pela Juventus em circunstâncias suspeitas. Demitiu-se do Derby em conflito com a direcção (o seu desprezo por dirigentes de futebol era notório, e os confrontos frequentes), e assumiu o controlo do Leeds United, uma das potências futebolísticas inglesas de então, no início da época de 1974/75 (pelo meio teve uma breve passagem, sem sucesso, pelo Brighton, na Division Three).

Assim que chegou, disse aos jogadores do Leeds que deviam deitar todas as medalhas que tinham ganho para o lixo, porque só as tinham ganho com batota (resultado de ter visto, numa ocasião, um árbitro entrar no gabinete do manager do Leeds, Don Revie).

Saiu 44 dias depois, com uma indemnização que, de acordo com ele, lhe permitiria não ter que voltar a trabalhar mais.

E assim chegou ao Nottingham Forest, um clube quase desconhecido, perto do fundo da tabela da Second Division, e para onde nenhum jogador com algum prestígio desejaria ir jogar. A primeira compra que fez quando lá chegou foi… um fogão novo, com dinheiro do seu bolso. Segundo as suas palavras:

”Well, the one the club had was knackered. But, frankly, I nearly picked it for the team ‘cos it was better than most of the squad.”

Brian Clough tinha uma obsessão: não sofrer golos. Como muitos treinadores, acreditava que uma equipa se começava a construir de trás para a frente (no caso dele, era resultado de experiências desagradáveis enquanto jogador, já que se irritava ao marcar golos em série e ver que os golos não serviam para nada porque a equipa sofria tantos ou mais do que ele conseguia marcar). Além disso, acreditava que era possível ganhar e jogar simples e bonito, entretendo o público.

Afastou-se do estilo típico do futebol britânico na altura, de bola pelo ar e kick and rush:

”If God had wanted us to play football in the clouds, he’d have put grass in the sky.”

Os seus jogadores estavam proibidos de discutir com árbitros, de chutar bolas para a bancada, simular lesões ou queimar tempo. Não admitia qualquer tipo de desafio à sua autoridade por parte dos jogadores. Sobre isso dizia:

”We talk about it for 20 minutes, and then we decide that I’m right.”

Quando Martin O’Neill, insatisfeito por estar a jogar pelas reservas, lhe foi pedir explicações, recebeu a seguinte resposta:
”It’s quite simple, young man. You’re too good to play for the third team.”

Como quase todos os treinadores que ficaram na história, Clough era um excelente gestor de homens, sabendo motivar ou espicaçar os seus jogadores na altura certa, e utilizando métodos pouco convencionais. Em 1979, na véspera da final da League Cup contra o Southampton, achou que os jogadores estavam demasiado tensos. Então, obrigou os jogadores a irem com ele aos bares e a apanharem uma bebedeira. Segundo ele, preferia ter jogadores ressacados do que jogadores tensos e nervosos. O Forest venceu a final por 3-2.

Um ano depois, trouxe o seu fiel adjunto Peter Taylor para o clube, refazendo a dupla de sucesso de Derby (“I’m the shop window, Pete’s the goods at the back.”). E no final da época de 1976/77, conseguiu a promoção à First Division, conquistando também o primeiro dos troféus ao serviço do Forest, a Anglo-Scottish Cup. Um troféu de pouca importância, mas que Clough sempre considerou ser o início de tudo, porque a maioria dos seus jogadores nunca tinham ganho nada, e aquele troféu deu-lhes a primeira experiência do que era ser um vencedor. Segundo ele, os jogadores gostaram, e ficaram 'viciados'. Taylor e Clough tinham o dom de conseguir tirar o máximo dos seus jogadores, de fazer estrelas de jogadores praticamente desconhecidos, e de relançar carreiras de jogadores considerados acabados para o futebol.

Foi assim que construíram a equipa do Forest para a época de 1977/78.

Resgataram, por exemplo, Peter Shilton ao Stoke, na Second Division (só a história da contratação do Shilton daria um post separado).

Contrataram o ponta-de-lança Kenny Burns ao Birmingham, e Clough viu nele um avançado mediano, mas um defesa de eleição. A jogar na defesa foi eleito o jogador do ano.
A verdade é que nessa época de 1977/78, vindos da segunda divisão, com uma equipa de desconhecidos e ‘acabados’, naturalmente ninguém levava o Forest a sério num campeonato que parecia ganho à partida pelo campeão europeu Liverpool (que revalidou esse título).

Ao fim de dezanove jornadas, o Nottingham Forest ocupava a primeira posição, com um ponto de vantagem sobre o Everton, e seis sobre o Liverpool. Ainda assim, e para fúria de Clough, continuavam a não os considerar candidatos, e a levar as declarações dele que o Forest, e não o Liverpool, era a melhor equipa inglesa como apenas mais um dos seus devaneios. Claro que Brian Clough utilizou isso mesmo como forma de espicaçar os seus jogadores.

E foi assim que o Forest se deslocou a Old Trafford. Quando os noventa minutos terminaram, e o marcador mostrava Man Utd 0 – Nottingham Forest 4, as pessoas começaram a perceber que aquilo era mesmo a sério. Seguiu-se um empate 1-1 com o Liverpool, e uma vitória por 1-0 sobre o Everton.

E daí por diante: 2-0 ao Arsenal, 3-1 ao Chelsea, 2-0 ao Newcastle e ao West Ham, o Forest foi imparável. No final, e num campeonato em que a vitória valia dois pontos, o Forest, vindo da segunda divisão, foi campeão com sete pontos de avanço, e o menor número de golos (24) alguma vez sofridos por um campeão. Foi também estabelecido um record de 42 jogos sem perder, que só viria a ser batido pelo Arsenal, 26 anos depois.

Ao título o Forest juntou a League Cup desse ano.

Pegar num clube como o Derby County e levá-lo a campeão e a uma meia-final da taça dos campeões europeus num jogo viciado a favor da Juventus, já era um feito quase inacreditável. Pegar no Nottingham Forest e repetir a façanha era uma coisa do outro mundo. Mas Clough e Taylor não ficariam por aqui.

Na época seguinte, a primeira eliminatória da Taça dos Campeões Europeus colocou o bicampeão Liverpool frente ao Forest de Clough.

O Liverpool foi despachado com 2-0 no total das duas mãos.

Seguiram-se AEK (7-2), Grasshoppers (5-2), e Colónia (4-3, com uma vitória por 1-0 na Alemanha graças a uma exibição épica do Shilton, após um empate 3-3 no City Ground na primeira mão).

A final foi ganha por 1-0 ao Malmö, com um golo de Trevor Francis, o primeiro jogador da história a custar um milhão de libras (Clough insistia que apenas tinha pago £999.999 por ele, porque um milhão era um valor obsceno).

Em três anos consecutivos, Brian Clough levara uma equipa da segunda divisão ao topo da Europa. Não contente com isso, repetiu o título europeu na época seguinte (vitória por 1-0 em Madrid frente ao Hamburgo), em que o melhor marcador da equipa foi Garry Birtles, um aplicador de alcatifas que Clough tinha descoberto a jogar numa liga amadora de fim-de-semana e por quem pagou duas mil libras.

O capitão dessa equipa que ergeu as duas taças de campeã europeia, John McGovern, era um jogador que fora 'raptado' à universidade por Clough e Taylor, que o convenceram a abandonar os estudos e a assinar pelo Hartlepool, da Fourth Division, quando Clough era o treinador, doze anos antes.
O fim da relação com Peter Taylor em 1982, e o progressivo alcoolismo de Brian Clough acabaram por significar o fim da ‘magia’. O Forest viria a conseguir conquistar mais duas Taças da Liga, em 1989 e 1990, mas não conseguiu repetir os feitos do passado. No final da época de 1992/93, a última da carreira de Brian Clough, e da primeira edição da actual Premier League, Clough sofreu a ignomínia de ser despromovido pela primeira vez na vida. Para trás ficou uma carreira única, com duas enormes frustrações: nunca ter conquistado a FA Cup (o mais perto que esteve foi em 1991, na final que ficou tristemente célebre pelas entradas animais e consequente lesão de Paul Gascoigne e que o Forest perdeu por 2-1 no prolongamento); e nunca ter sido escolhido para seleccionador inglês.

Em 1977 chegou a ser entrevistado para o lugar, e seria a escolha óbvia, mas a sua personalidade conflituosa, o desprezo absoluto que sentia por dirigentes de futebol (em particular pelos dirigentes da FA, que acusava de nunca terem jogado futebol na vida) e o hábito de dizer o que muito bem lhe apetecia ("They didn't want an England manager who was prepared to call the italians cheating bastards.") eram uma garantia que seria muito difícil ser escolhido – deram-lhe o posto de seleccionador de esperanças, uma espécie de prémio de consolação.

Brian Clough ficou também famoso por quase tudo o que dizia. As pessoas estavam sempre na expectativa sobre o que ele diria quando era entrevistado, e muitas das suas afirmações ficaram para a posteridade, conhecidas como ‘cloughisms’. Aqui ficam alguns dos exemplos:

”They say Rome wasn’t built on a day, but I wasn’t on that particular job.” - a sua habitual modéstia.

”Players lose you games, not tactics. There’s so much crap talked about tactics by people who barely know how to win at dominoes.”– sobre os comentadores de futebol.

”I can’t even spell spaghetti, never mind talk italian. How could I tell an italian to get the ball? He might grab mine!” - sobre a invasão de estrangeiros no futebol inglês.

”For all his horses, knighthoods and championships, he hasn’t got two of what I’ve got. And I don’t mean balls!” - sobre Alex Ferguson.

”I believe Lennox Lewis didn’t see that punch coming last Sunday, and the skipper of the Titanic had some excuse for not spotting an iceberg if it was dark. But I couldn’t believe my big ears when Fergie said he had not seen Keane’s tackle on Haaland.” - sobre a ‘visão selectiva’ de Alex Ferguson.

”At last England has appointed a manager who speaks English better than the players.” – sobre Eriksson.

”The Derby players have seen more of his balls than the one they’re meant to be playing with.” - quando um streaker invadiu o campo durante um jogo.

”That Seaman is a handsome young man but he spends too much time looking in his mirror rather than at the ball. You can’t keep goal with hair like that.” - sobre David Seaman.

”He’s like Muhammad Ali but without the talent. He floats like a butterfly and tackles like one too.” – sobre o jogador Trevor Brooking.

”They say Al Capone did some good things in life. Trouble was, he would go out in the streets and shoot people. Keane is becoming United’s Al Capone.” – sobre Roy Keane.

”Acne is a bigger problem than injuries.” - sobre a juventude da sua equipa.

”I bet their dressing room will smell of garlic rather than liniment over the next few months.” - sobre a quantidade de jogadores franceses no Arsenal de Wenger.

”They caress a football the way I dreamt of caressing Marilyn Monroe.” - ainda sobre o Arsenal de Wenger.

”If a player had said to Bill Shankly ‘I’ve got to speak to my agent’, Bill would have hit him. And I would have held him while he hit him.” - sobre os agentes dos jogadores.

”Beckham? His wife can’t sing and his barber can’t cut hair.” – sobre Beckham e a mulher.

”Football holligans? Well, there are 92 club chairmen for a start.” – a sua tradicional antipatia por dirigentes.

Enfim, tal como disse, este post tem a ver com uma figura que eu me habituei a venerar como um dos melhores, se não mesmo o melhor treinador de futebol de sempre, e que nos deixou completam-se três anos.

Mostrem-me um treinador que em quatro anos leve uma equipa da segunda divisão a bicampeã europeia e talvez eu mude de opinião.

Isto dos melhores tem que se lhe diga, e cada um terá a sua opinião. Eu limito-me a concordar com o próprio Brian Clough, e a sua tradicional modéstia:

”I wouldn’t say I was the best manager in the business. But I was in the top one.”

por D`Arcy
Bobby Charlton:
"In the '80's I followed Nottingham Forest everywhere in England and Cloughie was always applauded by home supporters, well most of them, this never happens with these managers like Mourinho. Brian Clough was different because his teams didn't cheat, never argued with refs and respected the opposing team whatever the outcome and most important of all they played very exciting football on the floor. He used to fine players a weeks wages if they got booked for arguing with officials, I remember him substituting Stuart Pearce - who was the England captain at the time, just for a late tackle on an opposing player. If you doubt any of this, just search google for stories about Mr Clough.By example, Mourinho is a good manager, but Brian Clough has 2 European cups to his name, as many as Ferguson, Wenger and Mourinho combined. With a poor team, without money, in a short time.
Brian Clough is, simply the best coach of all time."

sexta-feira, 7 de março de 2008

ARCOS DE VALDEVEZ NO EBAY











Estava eu a "navegar" pelo EBay, quando de repente, encontro estes postais antigos da nossa linda vila que é Arcos de Valdevez.

Os postais, dos anos 60/70, são referentes à nossa ponte sobre o Rio Vez e ao nosso Município.

O EBay, para quem não sabe, é actualmente o maior "site" do mundo para a venda e compra de bens, é o mais popular shopping da internet e possivelmente foi a pioneira neste tipo de serviços.
Até no EBay se encontra Arcos de Valdevez, a vila mais linda de Portugal, onde em 1140, graças ao Torneio de Valdevez, se deu o primeiro passo para a celebração do Tratado de Zamora em 1143.

Esta nossa paisagem sobre o Rio Vez, é das imagens mais lindas que podem existir para os nossos olhos e sentidos!

domingo, 2 de março de 2008

EXCITAÇÃO DA SEMANA: JIMI HENDRIX EXPERIENCE, "LIVE AT MONTEREY".






Live at Monterey é agora reeditado e recupera as memórias da actuação histórica da Jimi Hendrix Experience no festival Monterey Pop, de 1967.
O cartaz do evento californiano faz de cada melómano, um obsessivo-compulsivo a tentar inventar a máquina do tempo: por lá passaram Otis Redding, Ravi Shankar, The Who, Janis Joplin, Canned Heat,Simon and Garfunkel, Jefferson Airplane ou os Buffalo Springfield, e muitos, muitos outros que salvaguardaram o seu nome na lista dos eternos.

São várias as incidências que contribuem para que a sua passagem por Monterey esteja inscrita hoje nos compêndios da história do rock: Jimi Hendrix conseguiu ser o melhor naquele poderoso festival; aquele era o primeiro grande concerto no seu país-natal; e o guitarrista dava a conhecer ao mundo o potencial dos então desconhecidos amplificadores Marshall (que deram uma projecção sonora inovadora ao espectáculo de poucos mais de 40 minutos).
Esta conjugação de factores só não consegue ser tão explosiva quanto a própria performance de Jimi Hendrix e da sua banda inglesa Experience (Noel Redding no baixo e Mitch Mitchell na bateria) dada naquele palco.

Grandes canções de Hendrix como «Foxey Lady», «Can You See Me» ou «Purple Haze» são engrandecidas pela importância do momento, e as versões de que era mestre, como «Like a Rolling Stone» (de Bob Dylan), o mítico «Hey Joe» e o famoso «Wild Thing» (criado pelos Troggs), tiveram naquela noite o mesmo destino, com blues demonizados a uma velocidade rebelde de Concorde.

O disco tem a desvantagem de não ser ilustrado pelas imagens inesquecíveis de Jimi Hendrix a queimar a guitarra ou pela reacção boquiaberta de um público que estava a descobrir um novo mundo, entre outras peripécias mais ou menos musicais (mas todas elas fascinantes).

Em Live at Monterey sente-se e ouve-se o maior vulcão rock & roll de sempre em plena erupção, vê-se o melhor concerto de sempre, (olá revista Uncut), e por isso, o dvd faz tremer, com efeitos geológicos locais onde quer que sejavisto e ouvido.
Ver,ver,ver,escutar, escutar, escutar.
Faixas:
01. American Landing Part 1
02. Intro
03. Killing Floor
04. Foxey Lady
05. Like A Rolling Stone
06. Rock Me Baby
07. Hey Joe
08. The Wind Cries Mary
09. Purple Haze
10. Wild Thing
11. American Landing Part 2
12. Killing Floor (3 Camera Angles)
13. Foxey Lady (3 Camera Angles)
14. Like A Rolling Stone (3 Camera Angles)
15. Hey Joe (2 Camera Angles)
16. Wild Thing
17. Like A Rolling Stone
18. Stone Free

Hendrix Nosso Senhor e as aparições em Monterey. Milagre!
Abraço!!!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

O Brasil no Mundial 82 - Alô RTP Memória!!!


A caminho de Espanha, o escrete passou aqui em Portugal para um estágio.

Pela TV e rádios passavam jornalistas brasileiros em série. Falavam de uma super-equipa, apesar de dois nomes muito contestados: Valdir Peres, o guarda-redes, e Serginho, o ponta-de-lança.

Quando o Brasil chegou à Portela e um jornalista brasileiro perguntou a Valdir Peres se achava se era o melhor guarda redes do Mundo, abri a boca de espanto. Não fazia a mínima ideia de quem era Valdir Peres, se era bom ou não, mas o melhor "Keeper" do Mundo não era de certeza. Para mim, os melhores do mundo eram, o Dasaev, o Zoff, o Schumacher,o Pfaff... Aliás o frango do primeiro jogo criou uma fama a Valdir Peres de pior guarda redes do Mundo, mas esse título era exagerado.
O Mundial Espanha 82 marcou indelevelmente a minha infância.
Foi uma competição extraordinária, disputada aqui mesmo ao lado (ainda que as distâncias nessa altura fossem bem mais difíceis de percorrer), e que juntou figuras como Maradona, Platini, Zico, Rummenigge, Breitner, Falcão, Sócrates, Paolo Rossi, Conti, Tardelli, Keegan, Krankl, Panenka, Dino Zoff, Kempes, Boniek e muitos outros, numa época em que o futebol ainda não tinha definitivamente sido conquistado pelo pragmatismo dos resultados.

É verdade que Portugal não esteve presente, mas isso até então era vulgar – apenas em 1966 a selecção nacional conseguira o apuramento. Não foi portanto esse “pormenor” que impediu que o país futebolístico parasse durante um mês, em frente dos televisores (a maioria ainda a preto e branco), a deliciar-se com a quantidade e qualidade das estrelas que lhe entravam pela casa dentro.
À falta de Portugal, era o Brasil (que até estagiou cá em Portugal) que nos alegrava a alma.Recorde-se que este Mundial contou com a participação de 24 países, o que além de representar uma novidade em termos de formato, significava um número acrescido de jogos – de 38 jogos nos mundiais anteriores, tínhamos agora 52, todos, ou quase, transmitidos pela televisão.
Vivia-se ainda nos dias da rádio, em que as transmissões televisivas se cingiam normalmente à final da Taça de Inglaterra, à final da Taça dos Campeões, e a um ou outro jogo da selecção nacional no estrangeiro.
Imagine-se pois o regalo que era durante um mês poder desfrutar de 52 jogos entre as melhores selecções do mundo, recheadas de algumas das estrelas mais cintilantes da história da modalidade.
Conforme disse, a esmagadora maioria dos portugueses apoiava a selecção brasileira. O nosso país, depois das convulsões revolucionárias, vivia uma fase de reencontro com os seus símbolos nacionais, e o mais importante de todos era a língua. Esse aspecto, paralelamente à possibilidade de êxito que uma selecção brasileira sempre abre em qualquer competição, fazia com que milhares, para não dizer milhões, de portugueses vibrassem com o “Escrete Canarinho”,até porque essa equipa do Brasil não era uma equipa qualquer.Se me perguntarem qual foi o melhor jogador do meu tempo, não hesito: Diego Maradona. Se me perguntarem qual o melhor conjunto, talvez responda o Milan de Sacchi ou o Liverpool de Paisley... O meu Benfica que o diga...
Se a questão contudo for qual a equipa que mais me encantou, ou aquela cujo perfume mais sedução espalhou, essa foi sem dúvida a selecção brasileira de 1982, que praticava o futebol mais bonito que alguma vez pude ver.
Era interessante que a RTP Memória pudesse um dia passar esses jogos, pois o requinte técnico, a magia colectiva alicerçada no talento individual de vários foras-de-série, a força ofensiva, a criatividade a tocar os limites da nossa imaginação, fazia desse Brasil uma selecção empolgante como nenhuma outra, e dos seus jogos, espectáculos deslumbrantes da mais pura arte.
Se no início do Mundial os portugueses já estavam com o “Escrete”, ao longo da prova os brasileiros terão cativado quase todo o mundo, e quando disputaram o acesso às meias finais coma Itália, talvez só na “bota mediterrânica” não arregimentassem apoios.
O Brasil começou a prova com a URSS, num jogo muito aguardado, até por motivos políticos – no Brasil a ditadura de Figueiredo ainda estava para durar, e na União Soviética vivia-se ainda a era Brejnev. Ao frango do guardião Valdir Peres nos primeiros minutos devido a um remate de Andrei Bal, respondeu o Brasil com uma segunda parte magistral, e dois golos sublimes de Sócrates e Eder (este no último minuto) que garantiram a vitória.
Em seguida o Brasil derrotou facilmente a Escócia por 4-1, e a Nova Zelândia por 4-0, com mais duas exibições luxuosas, apurando-se com toda a tranquilidade para a segunda fase da prova.
No grupo A, uma Itália tristonha e ineficaz conseguiu o apuramento por um…golo. Três empates deixaram-na atrás da Polónia, e em igualdade pontual com os surpreendentes Camarões. No "goal-average", mais um golo marcado que os africanos levou a Squadra Azurra para a segunda fase. Longe estávamos de saber onde chegaria depois.
O Mundial 82 teve um figurino competitivo único, que não mais se repetiria. Dos seis grupos iniciais eram apuradas doze selecções (até aqui tudo normal), mas depois, ao invés de eliminatórias, havia outra fase de grupos, então com quatro poules de três equipas cada.
Brasil, Itália e Argentina (com a base da equipa campeã em 78 reforçada com…Maradona), fruto dos segundos lugares destes dois últimos, constituíram um dos agrupamentos.
Um luxo !
Jogariam em Sarriá, ex-estádio do Espanhol de Barcelona (hoje demolido). Na primeira jornada Itália-Argentina, depois o derby sul-americano e por fim a reedição da final de 70.
Logo no primeiro jogo, a Squadra Azurra orientada por Enzo Bearzot, mostrou que as dificuldades da primeira fase não passavam de um equívoco. Com uma extrema eficácia na arte de contra-atacar, derrotou os campeões do mundo por 2-1.
Na segunda ronda tivemos oportunidade de desfrutar de mais um festival Brasil. Vencendo categoricamente a Argentina por 3-1 (podiam ter sido muitos mais), o Escrete realizou talvez a melhor de todas as suas exibições na prova. Maradona foi expulso por agressão a Batista, e a Argentina dizia adeus à competição e à revalidação do título. Ao Brasil bastaria o empate frente à Itália para seguir rumo às meias finais, onde tinha a Polónia à sua espera.

Chegou-se assim ao decisivo jogo, de um grupo onde, mau grado os nomes em presença, o Brasil, pelo que mostrara até aí, era claramente favorito.Numa tarde de sol e calor, a equipa de Tele Santana actuou com o seu onze base:
Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho, Júnior, Cerezzo, Falcão, Sócrates, Zico, Serginho e Eder.
Com um meio campo deslumbrante, o Brasil espalhava magia pelos relvados. Mas o seu guarda-redes, a sua estratégia defensiva e o seu ponta de lança (Serginho), ficavam um tanto aquém da qualidade geral da equipa.
Os italianos, matreiros, saberiam explorar isso muito bem.Enzo Bearzot fez alinhar :
Zoff, Gentile, Scirea, Colovatti, Cabrini, Oriali, Tardelli, Antognioni, Conti, Rossi e Grazziani.
Apesar de não ter marcado qualquer golo na primeira fase, Paolo Rossi, depois de dois anos a cumprir castigo por corrupção e viciação de resultados (no célebre caso “Totonero” que levou o Milan para série B), (ainda me lembro quando contava esse sucedido ao meu querido amigo Germano Amorim), Rossi era ainda a grande figura da equipa.
Mas Bruno Conti, em início de carreira, estava a revelar também o seu enorme talento. A força defensiva da equipa era notável .Zoff ainda era a par de Dasaev,o melhor do mundo na altura , e Gentile vinha de uma marcação impiedosa sobre Maradona que o secou por completo.
Logo aos seis minutos de jogo, Rossi recebe um cruzamento ao segundo poste e cabeceia para o fundo da baliza de Valdir Peres. A Itália praticamente entrava a ganhar, causando sensação.
Ainda havia muito jogo pela frente, e isso tratou de demonstrar Sócrates, cinco minutos depois, após um passe perfeito de Zico, restabelecendo um empate que todos aguardavam com naturalidade.
A meio da primeira parte, Paolo Rossi aproveita um passe errado de Leandro, isola-se e dispara à entrada da área para o fundo da baliza de um ineficaz Valdir Peres.
A Itália voltava a surpreender, e colocava-se de novo na frente do marcador, resultado com que se atingiria o intervalo.
Na segunda parte viu-se a um verdadeiro massacre brasileiro em busca do golo da igualdade que, recorde-se, apurava o “Escrete”. A Itália contra-atacava com perigo. Assistia-se a um espectáculo de sonho, com qualidade técnica e intensidade competitiva levada aos limites.
A pouco mais de um quarto de hora do fim, Falcão recebe a bola na intermediária transalpina, simula que vai flanquear, aproveita a desmarcação inteligente de um colega para ganhar espaço e faz um potente remate cruzado que bate pela segunda vez o veteraníssimo Dino Zoff .
Era o delírio nas bancadas pintadas de verde e amarelo. E eu faço ideia o ambiente no Brasil...
A imagem de Falcão a correr de braços abertos em direcção ao banco ainda permanece na memória de muitos de nós como um dos mais belos e marcantes momentos desse mundial.
O mais difícil parecia feito, mas o dia era mesmo de Paolo Rossi.Ainda se festejava o golo de Falcão e acontece um canto contra o Brasil. A bola vai para a área, é devolvida pela defesa sul-americana, mas a segunda vaga apanha Rossi (colocado em jogo por Júnior), que completamente sozinho diante de Valdir Peres, não tem dificuldade em desviar a bola para dentro da baliza brasileira, perante o espanto generalizado.
A Itália, a dez minutos do fim do jogo, ficava numa inesperada posição de apuramento.
O Brasil, o mágico Brasil, o assombroso Brasil, começava a ver bem perto de si a porta de saída do Mundial.
Os últimos momentos foram dramáticos. Zoff defendia tudo. Defendeu inclusivamente sobre a linha uma bola que fez gritar golo em todo o estádio. Em todo o mundo.
A Itália queimava tempo. Parecia sempre saber muito bem como o fazer.O árbitro apitou. Ninguém acreditava no que se estava a passar.Trinta e dois anos depois do “Maracanazzo”, a nação brasileira voltava a chorar uma dolorosa e cruel derrota da sua selecção. Em Portugal o sentimento era quase idêntico. Estava afastada do título mundial uma das melhores selecções de todos os tempos.
A Itália, sabe-se, embalou para o título mundial, com Rossi a marcar em todos os jogos até à final.O Brasil de Telé Santana teria nova oportunidade no México 86. Mas, noutro sublime jogo, seria novamente eliminado, novamente de forma cruel, por penáltis, diante da França de Platini.
Daí em diante o futebol não mais foi o mesmo.
A arte deu lugar ao rigor, a criatividade perdeu para a força.
Em Sarriá nessa tarde, morreu um conceito de futebol.

Um jogo que ficou para a história como um dos mais belos de sempre.
Inesquecível !
O Brasil no Mundial 82:

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ayrton Senna : O melhor piloto de todos os tempos


Ayrton Senna foi, é e sempre será o meu piloto preferido da Formula1.

Lembro muito bem dos vários domingos que passei a ver os Grandes Prémios de Fórmula 1 na RTP1 e o prazer que eu tinha quando via o Senna a cortrar a meta em 1º lugar.

Ayrton Senna da Silva nasceu a 21 de Março de 1960, e em pequeno sofria de problemas de coordenação motora, resolvido eficazmente quando aos quatro anos começou a conduzir um pequeno veículo.

Depois foi o que se sabe, Ayrton transformou-se no melhor piloto de todos os tempos, era alguém que nos deliciava com a sua magia ao volante de um monolugar de Fórmula 1, alguém que não deixava ninguém indiferente, alguém com um talento, competência, concentração, rapidez e empenhamento nunca vistos, que se encontrava próximo da perfeição, que reunia em si todas as características que um piloto de competição deve possuir, alguém que marcou a Fórmula 1 para sempre.

Senna era genial, único e insubstituível.

E agora vamos eleger Ayrton Senna como o melhor piloto de todos os tempos!

O jornal Corriere Della Sera, da Itália, está a fazer uma pesquisa sobre quem é o melhor piloto de todos os tempos e os votos podem ser feitos pela internet.

Participem clicando aqui.

E já sabem, Ayrton Senna, o melhor de sempre!!!

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Rinat Dasaev


Eles são uma espécie de contra-senso do próprio futebol.

Para eles o objectivo é evitar golos, não marcá-los; são os únicos jogadores cujos erros são na sua quase totalidade fatais; e também raras vezes alguém se lembra deles como os melhores jogadores do Mundo.

Contudo, também os guarda-redes têm o seu devido lugar na história do futebol: e se Lev Yashin, o Aranha Negra, foi o rei dos guardiões de todos os tempos, então Rinat Dasaev foi o melhor guarda-redes da minha geração. O melhor guarda-redes que vi jogar!

Quando se estreou pela equipa nacional da URSS com apenas 22 anos, suspirou-se de alívio: estava finalmente encontrado o homem que poderia herdar o legado daquele que foi o melhor de sempre, Yashin.

Rinat Dasaev era um guarda-redes mágico. Mágico porque tornava o impossível em real, tal e qual como um verdadeiro ilusionista. Dotado de uma extrema agilidade e reflexos incríveis, Dasaev praticamente desafiava leis da Física em algumas das suas intervenções. Como por vezes se costuma dizer, era um daqueles guarda-redes que ganhava os jogos com as suas defesas.

Dasaev fez carreira no Spartak de Moscovo e no Sevilha, tornando-se uma das primeiras estrelas do futebol soviético a fazer carreira fora do seu país, algo impossível antes da perestroika. Foi em Espanha que pendurou as luvas, aos 35 anos.

Pela sua selecção, Dassaev foi internacional 91 vezes, entre 1979 e 1990. Esteve presente nos "Mundiais" de 82, 86 e 90.

O seu momento de glória podia ter sido o Euro'88, disputado na Alemanha. Contudo, no caminho de Dassaev atravessou-se outro mito: Marco Van Basten, o "Cisne de Utrecht", cujo remate que o bateu na final de Munique não poderia ser detido por ninguém.

Foi como a seta que derrotou Aquiles no único sítio possível, o calcanhar.
Indefensável.

FreeRice - O jogo solidário


Já sabemos e conhecemos, algumas maneiras de sermos solidários com algumas causas nacionais e mundiais, tais como a violência, a pobreza, as calamidades e as injustiças.
Que tal se através de um pequeno jogo em que para cada palavra que aparece (em Inglês) escolhemos o sinónimo de entre quatro palavras possíveis, e que por cada resposta certa doamos 20 grãos de arroz para o Programa Alimentar das Nações Unidas?
Pois é, a FreeRice é uma organização sem fins lucrativos, que através do seu site oficial, nos permite que sejamos solidários nesta causa.

Eu já contribuí com alguns grãos de arroz e treinei o meu inglês.

http://freerice.com/